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sábado, 19 de agosto de 2017

Estudo do livro Entre os Dois Mundos - cap 1

Obra de autoria de  Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco no ano de 2004.
Texto para leitura - Por Thiago Bernardes

27. Reminiscências e reflexões – Habitualmente, quando as atividades espirituais lhe permitem e o zimbório da noite pulsa de astros estrelares, derramando abençoada luminosidade, e o brilho de Selene em suave tom de prata veste a Natureza, Manoel Philomeno deixa-se arrebatar pelas reminiscências terrenas... Uma saudade mansa, feita de afeto, ternura e gratidão toma-lhe os sentimentos enquanto as reminiscências terrenas assomam, levando-o, às vezes, às lágrimas dulcificadoras. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

28. Ele repassa, por meio do caleidoscópio mágico da me­mória, as incomuns experiências que lhe tornaram a ca­minhada física favorecida pela alegria e pela esperança de liberdade, que buscou alcançar sem qualquer conflito ou solução de continuidade. Diante dos desafios e ressarcimentos necessários, a confiança decorrente da fé racional, adquirida no conheci­mento do Espiritismo, enrijecia-lhe o ânimo, vitalizando-o para o prosseguimento, mesmo quando sob chuva de calhaus e pisando em abrolhos. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

29. Embalado pela musicalidade superior que perpassa carreada por brisas perfumadas, sempre retorna às lembran­ças das lutas contra as paixões perversas, que o archote do esclarecimento facultava-lhe superar, saindo dos seus déda­los escuros e enfermiços. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

30. Quando as emoções o alcançam ao máximo, o afe­to ao querido Planeta convida-o a envolvê-lo em vibrações de ternura, orando pelos seus habitantes, especialmente por aqueles que ainda não tiveram a honra nem a felicidade de in­serir na mente a incomparável proposta da revelação espírita. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

31. Em face dessa ignorância, são compreensíveis as razões por que prosseguem iludidos e intoxicados pelos vapores morbí­ficos do desequilíbrio, distantes de quaisquer contribuições imortalistas. É que eles ainda não despertaram para os valores in­discutíveis da sublimação dos sentimentos. Assim, equivocados, convertem a existência numa tormentosa viagem em busca de coisa nenhuma, em ânsias in­quietadoras de prazeres e gozos anestesiantes, singrando as águas agitadas da fantasia. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

32. Quando, porém, sacudidos pelas inevitáveis tormen­tas que sucedem na travessia do processo evolutivo, sem estrutura moral para os enfrentamentos, sem motivações seguras para prosseguirem, deixam-se escorregar na direção do fosso profundo da revolta e da loucura. Incapazes de discernir o que lhes acontece, anulam a capacidade de raciocinar e perdem a oportunidade valiosa, complicando mais ainda suas angústias e aflições. Desconhecendo o intercâmbio entre os seres humanos e os espirituais, tornam-se vítimas espontâneas de mentes perversas ou viciosas que os exploram em contínuo processo obsessivo. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

33. Tais indivíduos são dignos de compreensão e merecem nosso melhor carinho, aguardando o momento em que estejam receptivos ao esclarecimento espírita, a fim de começarem a viagem do autodescobrimento. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

34. Em tais ocasiões, tomado pelas evocações espontâneas, Philomeno diz que sempre pensa na possibilidade de pedir e suplicar aos navegantes do corpo físico que amem a Terra, descobrindo suas potencialidades de inimaginável beleza, passando a amar-se mais, mediante o aprimoramento moral, de maneira que lhes seja possível amar também ao próximo, e, por consequência, a Deus, refletido no cosmo de cada ser, tanto quanto no universal. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

35. A Terra é planeta ricamente dotado de valores inquestionáveis para a felicidade pessoal e grupal. Escola bendita, é ninho de esperança e oficina de crescimento interior, tanto quanto hospital de almas que se encontram enfermas, ne­cessitadas por enquanto do ferrete do sofrimento para me­lhor entenderem a finalidade da existência. Construída pelo inefável Amor do Pai, faz parte das infinitas moradas espalhadas na Sua Casa e nos é con­cedida como colo de mãe, a fim de que possamos conhecer a vida e conquistá-la mediante o esforço pelo trabalho e pe­las reflexões interiores, ao mesmo tempo auxiliando-a no crescimento e na transformação que lhe estão fadados. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

36. Seus amanheceres de sol e os seus entardeceres de sombra e luz, quando surgem as primeiras estrelas, são convites à meditação e à alegria propiciadoras de ventura e espiritualização. As suas paisagens, portadoras de fascinante estesia, são musicadas pelas onomatopeias da Natureza sempre em festa. O majestoso poema de vida, estuante em toda parte, é invitação permanente à meditação em torno da realidade, que não pode ficar desconhecida ou empanada pelas nuvens da ignorância. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

37. Mesmo quando as catástrofes naturais, em forma de sismos e erupções vulcânicas, tornados e furacões, incên­dios vorazes e chuvas torrenciais avassalam tudo, em de­corrência uns da acomodação das placas tectônicas, outros como frutos amargos do efeito estufa, do aquecimento do ar ou da explosão de gases internos bem como de matéria ígnea, são espetáculos de incomparável fascínio, que, mesmo arrebatando corpos, não conseguem ceifar a vida. Exercem a função depuradora, convidando o pen­samento às considerações em torno da Divina Justiça que encerra existências comprometidas, de maneira que não se tornem necessários para o seu refazimento moral os proces­sos comuns dos desforços humanos de uns contra outros indivíduos. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

38. Adstritas à Lei natural, essas tragédias convertem-se em dádivas para a evolução humana, que não depende ex­clusivamente de uma existência física, mas de todo um lar­go investimento de experiências próprias para a iluminação íntima de cada ser. Logo, passadas as forças tiranizantes, tudo se reno­va, se ajusta aos padrões da evolução, avançando, o próprio Planeta, paramundo de regeneração, quando as condições geológicas forem propícias à ventura e ao prolongamento existencial. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

39. O ser humano, embora a inteligência que o conduz a conquistas fabulosas, não se permitiu a realização interior nem o entendimento das causas que o geraram, acomodan­do-se ao conceito espúrio do acaso improcedente, por cujo meio evade-se das responsabilidades para consigo mesmo, o próximo e a Natureza. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

40. Sua flora, sua fauna, seus minérios extraordinários, tudo constitui na Terra um conjunto de perfeito equilíbrio e de programação superior, obedecendo a uma ordem preestabelecida, que vige soberana. Quando perturbada, interrompida ou vilipendiada, abre campo para efeitos semelhantes que se voltam na direção de quem agiu incorretamente. É necessário, portanto, que haja na criatura humana o despertamento moral, a fim de que a Terra seja respeitada pelo menos, quando não amada, o que constitui um dever impostergável. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

41. Nessa grandiosa epopeia, aquele que ainda não se entregou a Deus avança triste, desalentado, sem rumo ou encharcado de excessos pelo desvario que se permite, des­pertando, mais tarde, no além-túmulo, arrependido e tu­multuado, ansioso e desiludido. Como, porém, o Amor de Deus é infinito, recondu­-lo ao mesmo proscênio, no qual se comprometeu lamenta­velmente, a fim de que recomece, reconstitua o programa iluminativo e reencontre-se, descobrindo o Criador, ínsito nele mesmo. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

42. O homem e a mulher contemporâneos alcançaram o Cosmos e hoje estudam Marte, graças aos robôs, um dos quais lhe analisa a constituição material, na tentativa de encontrar água, o que significaria nele ter havido ou exis­tir vida, enquanto o outro se encarrega de tarefas especiais, fotografando-o e estudando-o, desde há mais de sessenta milhões de quilômetros de distância do centro de controle... Ao mesmo tempo o telescópio Hubble envia fotogra­fias de galáxias jamais concebidas, umas sendo devoradas pelos buracos negros e outras surgindo da poeira cósmica. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

43. Embora marchem para a desativação por problemas técnicos ou desgaste do material de manutenção, ampliam a compreensão em torno do Universo e oferecem recursos extraordinários para o entendimento da sua origem e das possibilidades de vida em alguma parte, conforme a ainda pobre concepção humana. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

44. Simultaneamente devassaram o infinitamente peque­no, interpretando a matéria como energia condensada, o que os leva a conceituações audaciosas em torno da sua re­alidade como ser quântico. No entanto, no que diz respeito aos valores do espírito, embora as incontáveis confirmações da sua realidade, obstinadamente detêm-se em conceitos passadistas e utilitaristas, evitando comprometimentos pro­fundos e libertadores. Há, mesmo que inconscientemente, um latente medo da verdade, que produz alteração profunda na conduta, modificando conceitos e paradigmas em que têm sido estruturadas as suas existências. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

45. É muito mais cômodo e aceitável a permanência nas convenções e conclusões estabelecidas do que a audácia de nadar contra a correnteza do que está definido e aceito pelos interesses que predominam em todos os setores de atividade. Por isso, é necessário ser grato e generoso para com o Planeta, contribuindo para a sua finalidade superior, que transcende a imensa massa de que se constitui. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

46. Foi assim, numa dessas noites inexcedíveis de reminiscências e reflexões, que Manoel Philomeno retornou à realidade, quando dele se acercou o venerando amigo José Petitinga, amado companheiro de lide espírita na Terra, convidando-o para participar de um en­contro com nobre visitante que deveria proferir uma palestra especial , dentro de alguns minutos, no Departamento de Cultura e de Realizações Espirituais, na esfera em que eles se encontravam. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)

47. Felicitado pela convocação e pela presença do nobre amigo, Manoel Philomeno dirigiu-se com o amigo ao amplo auditório onde sempre eles se reuniam para os cometimentos dessa natureza. (Entre os dois mundos. Capítulo 1: Reminiscências e reflexões.)
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Estudo do livro Entre os Dois Mundos - Início


Obra de autoria de  Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco no ano de 2004.
Texto para leitura - Por Thiago Bernardes

1. Entre os dois mundos –
Diariamente mergulham na névoa carnal milhares de espíritos abençoados pela sublime dádiva do recomeço. Simultaneamente, milhares de outros abandonam o casulo físico, carregando as experiências que vivenciaram durante o trânsito orgânico. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

2. Enquanto uma verdadeira multidão desce ao proscênio terrestre para desenvolver os valores que jazem no âmago do ser, compacta massa humana retorna ao porto de origem, concluídos (ou não) os compromissos que assumiram antes do renascimento. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

3. Espíritos imortais que somos, jornadeamos em sucessivas experiências fisiológicas, saindo do primarismo de onde procedemos no rumo da plenitude que nos está destinada. Atavicamente dependentes das afeições e das atitudes desenvolvidas, quase sempre repetimos os processos a que nos amoldamos, sem grandes estímulos para o prosseguimento. É nesse comenos que o sofrimento, na condição de lapidador de arestas morais, se expressa, conclamando­nos à mudança de comportamento que propicia bem-estar e harmonia. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

4. Nem sempre, porém, é ele aceito conforme seria desejável, em face das sensações desagradáveis e dos limites de movimentação que impõe, gerando rebeldia e insatisfação. Nada obstante, da mesma maneira que o processo evolutivo desenvolve-se etapa a etapa, inevitavelmente é aceito quando as suas tenazes ferreteiam com força dominadora. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

5. Após os estertores da revolta, ante a impossibilidade de remover o incômodo processo educativo, afrouxam-se-nos as resistências e surge a compreensão necessária para a aceitação da ocorrência, que se transforma em benefício anelado. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

6. Nesse entretempo, ocorrem desvarios, surgem culpas, estabelecem-se inimizades, nascem respeito e consideração, aspira-se por liberdade e alegria, num caleidoscópio de sucessos que definirão os rumos existenciais futuros. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

7. Impossível fugirmos do processo de crescimento imposto pelas soberanas leis da vida. Tudo nasce para transformar-se, morrendo na forma e permanecendo na essência, acumulando habilidades que impulsionam para o progresso, mesmo quando acontecimentos imprevistos parecem reter a marcha do desenvolvimento. Não existe estagnação no Universo, e no seguimento da evolução não há retrocesso, apresentando-se sempre formas de melhorarmos e de crescermos. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

8. O mundo físico é o abençoado campo de aprendizagem e de experimentação dos dons que se encontram em germe, aguardando que os fatores que lhes propiciam o surgimento e o progresso imponham a sua poderosa ação. É transitório, de duração efêmera, com finalidade específica estabelecida pela Divindade. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

9. O mundo espiritual é permanente, real, causal, de onde se origina a vida e para onde retorna após os processos de adiantamento intelecto-moral. Entre as duas dimensões há uma ininterrupta movimentação de seres espirituais em intercâmbio contínuo. Muito difícil dizer, pois, que são dois mundos diferentes. Mais próprio asseverar-se que são duas dimensões de constituição específica, uma das quais é a condensação da energia em apresentação própria como a matéria e a outra é de natureza cósmica, especial, de onde surgem os condensados orgânicos e objetivos. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

10. Intermediando-os, existem inúmeras outras esferas de constituição própria, nas quais a vida exulta e pulsa, de maneira específica, compatível com a finalidade para a qual foram elaboradas. Nem poderia ser diferente. Aceitar-se a existência de mundos fixos e separados, sem qualquer fonte de vitalização e de intercâmbio entre eles, seria muita pobreza da Criação, tendo-se em vista que em tudo há uma graduação de estrutura desde a mais tênue, no campo absoluto da energia, até a mais grosseira, expressando a densidade material conforme é conhecida. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

11. Constituídas essas esferas por vibrações próprias, servem de pousos para refazimento, de hospitais transitórios que albergam recém-desencarnados incapazes de alcançar mais elevadas zonas espirituais, de núcleos de sofrimentos compatíveis com as experiências infelizes que se hajam permitido aqueles que são atraídos por afinidade de ondas mentais e morais. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

12. Mais distante da crosta terrestre, respira-se psicosfera superior, que antecede as regiões felizes, enquanto que, mais próximas, permanecem as condensações de energia eliminada pelos pensamentos, aspirações, vivências embrutecidas dos que prosseguirão aprisionados nos seus complexos meandros de sombra e de dor, de revolta e de insensatez, de ódio e de pesar. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

13. A situação mais grave encontra-se na intimidade do planeta, onde existem sítios de angústia incomum e de expiações mui dolorosas, todos construídos em faixas de ondas psíquicas perversas e grosseiras, em que ainda se comprazem muitos habitantes desencarnados. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

14. Nesse incessante ir e vir dos espíritos na faina evolutiva são estabelecidos critérios e paradigmas de comportamento que facultam o êxito dos candidatos à educação transcendental. Assim sendo, cada um gera campo emocional de identificação com uma esfera equivalente entre os dois mundos, passando a habitá-la desde então, mediante a nutrição ideológica mantida. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

15. Eis por que a ascensão é feita passo a passo ou é conquistada de assalto, quando existe a resolução de alterar, por definitivo, a maneira de encarar a existência e de entregar-se aos objetivos sublimes que a todos aguardam. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

16. Dos melhores exemplos desse assalto ao Reino dos Céus, entre outros, destacam-se Saulo de Tarso, convertido em Paulo apóstolo e Francisco Bernardone, transformado no pobrezinho de Assis, saltando da faixa em que se encontravam para os esplendores da vida abundante, onde se instalaram após as refregas que os santificaram. Não o conseguiram por privilégios, que não existem, mas sim pelo empreendimento de total entrega a Deus e a Seu Filho, seguindo-Lhe as pegadas e abraçando o sofrimento da Humanidade como de sua própria necessidade evolutiva. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

17. Assim, é natural que nem todos aqueles que se candidatam à santificação consigam desembaraçar-se do cipoal das paixões a que se encontram atados, necessitando de reforço de energia e de encorajamento, a fim de poderem enfrentar os desafios externos e os impulsos interiores que procedem dos vícios não superados e das paixões inferiores não sublimadas. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

18. Investimentos espirituais de alto valor são realizados em benefício de reencarnações importantes, que nem sempre redundam em êxito, como decorrência das fixações anteriores e dos hábitos perniciosos de que não se conseguiram libertar esses candidatos à elevação. Muitas vezes, malbaratando a ensancha nobre, porque ressumam os condicionamentos que os tomam por completo, tombam nos resvaladouros do insucesso, retornando, aflitos e infelizes, passando por longo período de convalescença, a fim de volverem a futuras experiências iluminativas. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

19. Noutras circunstâncias, reencontrando aqueles aos quais prejudicaram, sofrem-lhes as injunções penosas, as perseguições contínuas, sendo arrastados a processos lamentáveis de obsessões, em que se perturbam gravemente, distanciando-se dos deveres que deveriam cumprir mesmo que mediante sacrifícios continuados. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

20. Em outras ocasiões, experimentando os efeitos danosos dos atos transatos, debilitam-se diante de enfermidades dilaceradoras ou de transtornos na área da afetividade, que os empurram a fugas espetaculares na direção de depressões graves, que redundam em suicídios danosos e de consequências imprevisíveis. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

21. Objetivando a diminuição dos problemas, em face dos graves compromissos assumidos, amigos espirituais devotados, em nome do amor constantemente visitam-­lhes, de modo a tornar-lhes menos ásperas as provações e a auxiliar-lhes na desincumbência das responsabilidades que lhes dizem respeito. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

22. Este livro aborda uma dessas experiências de socorro aos nossos irmãos da Terra, procedentes de nossa esfera de ação, com tarefas definidas em favor da cristianização das criaturas, sob as luzes vigorosas dos postulados espíritas, conforme herdamos do insigne Codificador Allan Kardec. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

23. Sob a égide espiritual do mártir cristão Policarpo(1), que não trepidou em oferecer a vida a Jesus em sublime holocausto na arena romana, foram formadas cem equipes aproximadamente, para atender ao maior número possível de espíritos comprometidos com a Mensagem, que se en­contravam em situação delicada ante as injunções que vive o Planeta e as dificuldades pessoais em cada um vigentes. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

24. Procuramos relatar, sem muitas minudências, os processos socorristas e as providências tomadas para que pudessem ser diminuídas as falências morais e os comprometimentos infelizes, mantendo-se todos em clima de atividade edificante sob qualquer situação penosa que se apresentasse. Durante um mês, o nosso grupo esteve em diligência espiritual, atendendo a verdadeiros missionários, uns anônimos, outros mais conhecidos, de forma que pudessem concluir o ministério assumido com elevação e fidelidade total ao Senhor. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

25. Procuramos utilizar nesta obra uma linguagem simples e acessível a diferentes níveis intelectuais, de modo que o aproveitamento da nossa realização faça-se amplo e claro, conscientizando os nossos leitores sobre atividade de tal monta que lhes proporcione abertura mental para beneficiar-se também de recursos dessa natureza. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

26. Esperamos que o nosso despretensioso esforço encon­tre ressonância nas mentes e nos corações, facultando um intercâmbio lúcido entre nós e eles, a fim de que o futuro da Humanidade seja menos aflitivo e a desencarnação se apresente como passaporte que faculta a entrada segura no país da imortalidade. (Entre os Dois Mundos. Prefácio.)

 

(1) Policarpo foi um mártir cristão que nasceu presumivelmente na Ásia Menor, antes de 69 e que morreu em Esmirna, por volta do ano de 155. Entre as extraordinárias realizações do seu ministério, escreveu diversas epístolas, uma das quais dirigidas aos filipenses, narrando a viagem de Santo Inácio, constituindo-se um documento valioso a respeito do Cristianismo primitivo. Não nos referimos a essa personagem, senão outrem, que nasceu e morreu posteriormente, mas que é também seu homônimo. (Nota do autor espiritual)


Por Thiago Bernardes



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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO - O EVANGELHO E O FUTURO

Raças e povos ainda existem, que o desconhecem, porém não ignoram a lei de amor da sua doutrina, porque todos os homens receberam, nas mais remotas plagas (região) do orbe, as irradiações do seu espírito misericordioso, através das palavras inspiradas dos seus mensageiros.

O Evangelho do Divino  Mestre ainda encontrará, por algum tempo, resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, a simonia (compra ou venda ilícita de coisas espirituais, como indulgências e sacramentos ou temporais ligadas às espirituais,como os benefícios eclesiásticos), o império da força conspirarão contra ele, mas o tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança. Então da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, a verdade e a vida.

Livro Emmanuel - Francisco Cândido Xavier - cap II

A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO - JESUS

Com o nascimento de Jesus, há como que uma comunhão direta do Céu com a Terra. Estranhas e admiráveis revelações perfumam as almas e o Enviado oferece aos seres humanos toda a grandeza do seu amor, da sua sabedoria e da sua misericórdia.

Aos corações abre-se nova torrente de esperança e a Humanidade, na manjedoura, no Tabor e no Calvário, sente as manifestações da vida celeste, sublime em sua gloriosa espiritualidade.

Com o tesouro dos seus exemplos e das suas palavras, deixa o Mestre entre os homens a sua Boa Nova. O evangelho do Cristo é o transunto de todas as filosofias que procuram aprimorar o espírito, norteando-lhe a vida e as aspirações.

Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita.

Livro Emmanuel - Francisco Cândido Xavier - cap II

ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO - OS MISSIONÁRIOS DO CRISTO

FO-HI, os compiladores dos Vedas, Confúcio, Hermes, Pitágoras, Gautama, os seguidores dos mestres,da antiguidade, todos foram mensageiros de sabedoria que, encarnando em ambientes diversos, trouxeram ao mundo a ideia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para o obtenção de todos os primores da evolução espiritual. Todos foram mensageiros dAquele que era o Verbo  do Princípio, emissários da sua doutrina de amor. Em afinidade com as características da civilização e dos costumes de cada povo, cada um deles foi portador de uma expressão do "amai-vos uns aos outros". Compelidos, em razão do obscurantismo dos tempos, a revestir seus pensamentos com os véus misteriosos dos símbolos, como os que se conheciam dentro dos rigores iniciáticos, foram os missionários dos Cristo preparadores dos seus gloriosos caminhos.

Livro Emmanuel - Francisco Cândido Xavier - Cap II

ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO - AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS



ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO

AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS

Vamos encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da Índia védica e bramânica, de onde também se irradiaram as primeiras lições do Budismo, no antigo Egito, com os mistérios do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a que ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam compreender devidamente.

Livro Emmanuel – Francisco Cândido Xavier – cap II

A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO



Nenhuma expressão fornece imagem mais justa do poder dAquele a quem todos os espíritos da Terra rendem culto do que a de João, no seu Evangelho – “ No princípio era o Verbo...”

Jesus cuja perfeição se perde na noite imperscrutável das eras, personificando a sabedoria e o amor, tem orientado todo o desenvolvimento da Humanidade terrena, enviando os seus iluminados mensageiros, em todos os tempos , aos agrupamentos humanos e, assim como presidiu à formação do orbe, dirigindo, como Divino inspirador, a quantos colaboraram na tarefa da elaboração geológica do planeta e da disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade, vem-lhe fornecendo a ideia da sua divina origem, o tesouro das concepções de Deus e da imoralidade do espírito, revelando-lhe, em cada época, aquilo que a sua compreensão pode abranger.
(conforme a evolução, o véu vai sendo tirado)

Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dessemelhavam dos antropopítecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os primeiros sacrifícios de sangre aos ídolos de cada facção, crueldade mais longínquas que as praticadas nos  tempos de Baal, das quais  tendes notícia pela História.   
  
Livro Emmanuel – Francisco Cândido Xavier cap II                                    


A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO - A LEI MOSÁICA

A Lei mosaica foi a precursora direta do Evangelho de Jesus. O protegido de Termutis, depois de se beneficiar com a cultura que o Egito lhe podia prodigalizar, foi inspirado a reunir todos os elementos úteis à sua grandiosa missão, vulgarizando o monoteísmo e estabelecendo o Decálogo (dez mandamentos), sob a inspiração divina, cujas determinações são até hoje a edificação basilar da Religião da Justiça e do Direito, se bem que as doutrinas antigas já tivessem arraigado a crença de Deus único, sendo o politeísmo apenas uma questão simbológica, apta satisfazer à mentalidade geral.

A legislação de Moisés está cheia de lendas e de crueldades compatíveis com a época, mas, escoimada de todos os comentários fabulosos a seu respeito,  a sua figura é, de fato, a de um homem extraordinário, revestido dos mais elevados poderes espirituais. Foi o primeiro a tornar acessíveis às massas populares os ensinamentos somente conseguidos à custa de longa e penosa iniciação, com a síntese luminosa de grandes verdades.

Livro Emmanuel - Francisco Cândido Xavier - cap II

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - A NOVA ERA - NÃO VIM DESTRUIR A LEI

ERASTO, discípulo de São Paulo

                                                                           Paris, 1863
   
 Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo. Ele se manifesta por quase toda parte, e a razão disso a encontramos na vida desse grande filósofo cristão. Pertencem a essa vigorosa falange dos Pais da Igreja, a que a Cristandade devem as suas mais sólidas bases. Como muitos, ele foi arrancado ao paganismo, ou melhor diremos, a mais profunda impiedade, pelo clarão da verdade. Quanto, em meio de seus desregramentos, ele sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidos; quando, enfim, na sua Estrada de Damasco, ele também ouviu a santa voz que lhe clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”; exclamou: “Meu Deus! Meu Deus, perdoa-me, eu creio, sou cristão!” E desde então se tornou um dos mais firmes pilares do Evangelho. Podemos ler, nas notáveis confissões desse eminente Espírito,as palavras características e proféticas, ao mesmo tempo, que ele pronunciou ao ter perdido Santa Mônica. “Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me o seu conselho, revelando-me o que nos espera na vida futura”. Que lição nestas palavras, e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso que hoje, vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam.                                        

 
NOTA – Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou? Não, seguramente, mas como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não podia ver como homem. Sua alma liberta percebe claridade nova, e compreende o que antes não compreendia. Novas idéias lhe revelaram o verdadeiro sentido de certas palavras. Quando na terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las com maior clareza. É assim que ele deve revisar sua crença referente aos espíritos íncubos e súcubos, bem como o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas. Agora, que o Cristianismo lhe aparece em toda a sua pureza, ele pode, sobre certos pontos, pensar de maneira diversa de quando vivia, sem deixar de ser o apóstolo cristão. Pode, sem renegar a sua fé, fazer-se o propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das predições.  Ao proclamá-lo, hoje, nada mais faz do que conduzir-nos a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. Assim também acontece com outros Espíritos, que se encontram numa posição semelhante.    

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Erasto, discípulo de Paulo trouxe essa mensagem em Paris, em 1863 sobre Santo Agostinho, que ele afirma ser um dos maiores divulgadores do espiritismo, manifestando-se por toda parte, através de médiuns diversos. Assim ele o faz porque, quando encarnado, aos trinta e dois anos de idade, ele " sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidios." 
           
Sua mãe, desde que ele nascera em 13 de novembro de 354 em Tagaste, na província romana da Numídia, na África, cristã convicta, educou-o nos princípios da religião, o que ele desprezar. 
           
Em um dia, deprimido e angustiado procurando por um sentido na vida, ouviu uma voz de criança a cantar seguidamente: "Toma e lê, toma e lê." Havia um livro sobre a mesa. Ele o abre ao acaso e lê : " Não caminheis em glutonarias e embriaguez, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em contendas e emulações, mas revesti-vos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis da carne com demasiados desejos." Parou de ler, "uma espécie de luz inundou-lhe o coração, dissipando todas as trevas da incerteza." Eram palavras de Paulo de Tarso. Decidiu então, penetrar " naquela regra de fé, por onde, há muito, sua mãe caminhava." 
           
Tornou-se vigário, bispo e permaneceu por mais de quarenta anos ligado à igreja de Hipona. 
           
Até o quarto século, o cristianismo era uma doutrina, aparentemente, simples, baseada nos escritos evangélicos, sem fundamentação filosófica, ou seja " não se apresentava como um conjunto de idéias produzidas e sistematizadas pela razão em um todo lógico. Era uma doutrina revelada e não uma filosofia." 
           
Houve " tentativas de mostrá-lo ( o cristianismo) como doutrina não oposta às verdades racionais do pensamento filosófico helênico, tão respeitado pela autoridades romanas.. São Justino ( séc. II), Clemente de Alexandria ( sec. II e III ) e Orígenes ( sec. III) caminharam por essa via e revestiram a revelação cristã de elementos da especulação filosófica grega." Todavia, outros " reagiram contra essa mistura e defenderam a idéia da revelação cristã baseada exclusivamente na fé e nada tendo a ver com a especulação racional." Dentre estes, Tertuliano ( sec. II e III) que afirmava crer ainda que isso fosse absurdo. 
           
Santo Agostinho tentou fazer essa aliança entre a fé e a razão, realizando uma síntese à qual denominou "filosofia cristã", sistematizando uma concepção do mundo, do homem e de Deus, que se tornou por muito tempo a doutrina fundamental da igreja católica. 
           
Erasto nos apresenta Santo Agostinho como" um dos mais firmes pilares do Evangelho", desde sua conversão na Terra , em agosto do ano 386. Cita, numa demonstração de fé e de previsão do espiritismo, suas palavras, após o desencarne de sua mãe: " Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me os seus conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura." 
           
Afirma Erasto que , " vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam." 
           
Procurou Erasto mostrar-nos a continuidade da vida do Espírito, desenvolvendo-se sempre, num aprendizado constante na busca da verdade maior e continuando na tarefa de divulgar a verdade que apreende, auxiliando seus irmãos na retaguarda, cooperando na obra do Pai. 
           
Kardec, em uma nota, faz a seguinte pergunta: "- Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou?" 
           
O homem na Terra, recebe os conhecimentos e os assimila segundo seu grau evolutivo. Assim, os que mais avançam em desenvolvimento espiritual e trabalham para o desenvolvimento dos seus irmãos na difusão da verdade possível, são também limitados pela inferioridade da humanidade e analisam muitas coisas segundo a percepção que conseguem alcançar neste plano. Estes , ao desencarnar, evidentemente vêem com muito mais clareza e facilidade a verdade e modificam algumas ou muitas de suas idéias. 
           
Desse modo, no plano espiritual, Santo Agostinho ao compreender o cristianismo com toda a sua pureza, pode, perfeitamente, pensar de maneira diferente sobre determinados pontos da verdade que abraçara . Justamente por isso, sabendo que o espiritismo não contraria em nada a doutrina do Cristo, sendo, ao contrário, o complemento que faltava a ele , quando encarnado, torna-se um seu divulgador, continuando a ser um cristão mais esclarecido que antes, continuando sua tarefa de servir a Jesus, na obra de Deus, procurando conduzir os cristãos " a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos." 
           
Da mesma forma, Espíritos que ensinaram e exemplificaram o mal, que colaboraram para erros e enganos, quando esclarecidos, se arrependem, preparam-se e retornam à Terra, mais tarde, para desfazer o que fizeram; sofrem as conseqüências nas ações dos que lhe seguiram as idéias contrárias às leis de Deus, lutam e trabalham para os convencer dos enganos, levando-os a modificarem suas idéias e atitudes. 
           
Bendito é Deus que criou leis sábias através das quais, seus filhos progridem sempre, em qualquer lugar, em qualquer tempo, em direção da perfeição e da felicidade !

           Nota : Os dados sobre a vida de Santo Agostinho foram tirados do livro Santo Agostinho, da coleção, Os Pensadores, da Nova Cultural, de São Paulo, em 1987.

 Leda de Almeida Rezende Ebner

O Evangelho Segundo o Espiritísmo cap I
http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=374

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - A NOVA ERA - NÃO VIM DESTRUIR A LEI


UM ESPÍRITO ISRAELITA

Mulhouse, 1861

9 – Deus é único, e Moisés o Espírito que Deus enviou com a missão de fazê-lo conhecer, não somente pelos hebreus, mas também pelos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação, através de Moisés e dos Profetas, e as vicissitudes da vida desse povo foram feitas para chocar os homens e arrancar-lhes dos olhos o véu que lhes ocultava a divindade.

Os mandamentos de Deus, dados por Moisés, trazem o germe da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido, porque, postos em ação em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra, como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos chamados à regeneração. E esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento espiritual, não teriam compreendido a adoração de Deus sem os holocaustos ou sacrifícios, nem que se pudesse perdoar a um inimigo. Sua inteligência, notável no tocante às coisas materiais, e mesmo em relação às artes e às ciências, estava muito atrasada em moralidade, e eles não se submeteriam ao domínio de uma religião inteiramente espiritual. Necessitavam de uma representação semimaterial, como a que então lhes oferecia a religião hebraica. Os sacrifícios, pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espírito.

O Cristo foi o iniciador da mais pura moral, a mais sublime: a moral evangélica, cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los fraternos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, fazê-la morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está sujeita, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para elevar a humanidade.

São chegados os tempos em que as idéias morais devem desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as idéias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhes abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.

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Assina esta mensagem mediúnica Um Espírito Israelita, recebida em Mulhouse em 1861.Faz ele uma análise das missões de Moisés, de Jesus e do Espiritismo, demonstrando-as adequadas ao entendimento dos homens de sua época. Os ensinos que cada um trouxe, numa seqüência clara e lógica, conforme o amadurecimento espiritual da humanidade terrestre, encontraram mentes e corações esclarecidos, que os receberam, compreenderam-nos e os divulgaram.

 Interessante observar que a primeira revelação foi revelada a um homem Moisés, a segunda foi trazida e revelada por Jesus, o Espírito mais perfeito que veio à Terra e a terceira é centrada numa doutrina , codificada por um homem Allan Kardec, a partir das revelações de milhares de Espíritos através de médiuns de muitos países . Jesus continua na direção desse movimento renovador e redentor para auxiliar a humanidade no seu progresso espiritual.

Embora um povo, o hebreu, tenha sido escolhido para receber a primeira grande revelação, pela sua fé firme em um só Deus, Moisés a recebeu para toda a humanidade, pois os Dez Mandamentos constituíram-se no alicerce de toda a moral trazida por Jesus cerca de um mil e trezentos anos depois e a base para todos os códigos da justiça humana.

" Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido porque, postos em ação em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer."

Os povos da época de Moisés, ainda muito atrasados quanto à evolução espiritual, não conseguiram compreender a adoração a Deus sem os holocaustos ou sacrifícios e nem tinham amadurecimento espiritual para compreenderem valores espirituais, por estarem ainda quase que inteiramente voltados para a vida material, na satisfação das suas necessidades materiais. Necessitavam pois, de uma religião que atendesse a essas necessidades. " Os sacrifícios pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espírito."

Necessário então se torna separar, para a humanidade atual, a lei de Deus contida nos Dez Mandamentos das leis criadas por Moisés para um povo rude e atrasado na evolução espiritual.

A moral ensinada e vivida por Jesus, embora ainda difícil de ser praticada até para os que aceitam Jesus como o Messias Prometido é a moral que deve ser desenvolvida por todas as humanidades do Universo infinito, embora possa ser mais minuciosa e exigente em mundos onde habitam os Espíritos muito evoluídos.

A meta para a humanidade terrestre, constituída de encarnados e desencarnados, é viver segundo a moral que Jesus ensinou através das palavras e dos exemplos. Por isso Jesus disse: " Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por mim." Ele sabia o que dizia !

A moral de Jesus é o mais perfeito código de leis , o único capaz de transformar o homem, vindo dos reinos inferiores em anjos de luz, como Jesus demonstrou ser. Capaz de encarnar em um mundo inferior, morada de Espíritos imperfeitos e rebeldes à lei do Amor, conviver com eles, aceitando-os como eram, ensinado-lhes, com sabedoria e amor, as leis divinas, respeitando as leis humanas, imperfeitas, parciais, injustas, semeando muito para uma colheita fraca, aos poucos, no decorrer de milênios, entregando-se até ao sacrifício da cruz, por amor a seus irmãos inferiores.

A moral de Jesus é a única que tornará a Terra um mundo superior, morada de Espíritos sábios e bons, porque a lei do progresso é para todos e para tudo. A progressão é para o espírito e para a matéria. Tudo evolui para melhor !

O grande desenvolvimento científico e tecnológico atual, prenunciando avanços nunca antes imagináveis, não tem sido capaz de tornar o homem feliz, que é o maior desejo de todos, e a realização dessa aspiração está incluída na lei divina pois, não se pode conceber Deus Criador e Pai com criação imperfeita e filhos infelizes.

A moral de Jesus, direcionando toda a inteligência e capacidades espirituais é que tornará toda a humanidade feliz, um dia, como já tem tornado felizes os Espíritos Puros. Na proporção da evolução moral dos seus habitantes , a Terra, galgando os degraus da escala evolutiva será um mundo melhor e o único caminho a para isso é a vivência da moral contida nos Evangelhos de Jesus.

Esse desenvolvimento não será feito sem lutas, mas será realizado porque a razão nos diz que o progresso é um determinismo divino.

Termina o autor: " Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o espiritismo a concluirá."

Leda de Almeida Rezende Ebner
Março / 2002
O Evangelho Segundo o Espiritismo cap I - Não vim destruir a lei

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