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terça-feira, 11 de julho de 2017

A psicosfera terrestre e as esferas espirituais (Parte 1) - Eurípedes Kühl


Envolvendo o planeta Terra e projetando-se para distâncias imensas existem camadas de correntes mentais, produto do que pensam, como vivem e agem os homens, encarnados e desencarnados: essa é a psicosfera terrestre!
Num planeta onde o mal supera o bem, como o nosso, tais camadas, formadas pelos turbilhões de pensamentos bons ou maus que se entrecruzam — ora com sintonia, ora com repulsão —, obviamente, estão eivadas de vibrações majoritariamente deletérias, as quais tendem a influenciar, senão toda, grande parte da humanidade.
Ocorre que extrapolando a silhueta física todos os seres vivos possuem uma aura radiante. Nos humanos, em particular, a intensidade vibratória e características cromáticas são consentâneas com sua evolução moral e seu comportamento.
Na aura humana, de ação protetora qual “túnica eletromagnética”, (...) “halo energético” (...) “couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica” (...) “à maneira de campo ovoide”, nas expressões seguras do Espírito André Luiz[1], que se localizam as aberturas dos centros vitais de força (chacras), que ora captam, ora exaurem energias, incessantemente.
Nada objeta considerar que citada aura é a psicosfera de cada ser humano, “através da qual” (ainda segundo André Luiz) “somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins”.
Dessa forma, resta verdadeiro que a influência externa, se negativa, só acontecerá se houver desguarnecimento psíquico, isto é, invigilância moral, de que nossa aura dará identificação infalsificável.
A Lei Divina contempla solidamente que “a cada um segundo suas obras”...
A soma de todas as auras, com suas projeções radiantes entrecruzando-se, fruto dos incessantes pensamentos das criaturas humanas (encarnadas e desencarnadas) formará a psicosfera do mundo em que vivem, mergulhadas e sustentando-se mentalmente nesse mar de vibrações e  ondas — correntes eletromagnéticas, enfim. No nosso caso, a Terra.
Cada pensamento ou ação tem reflexos na psicosfera terrestre, muito embora imperceptíveis, individualmente, mas expressivos, no conjunto.
Algo assim como o chamado “efeito borboleta”, referente às condições iniciais dentro da teoria do caos[2], que segundo a cultura popular, faz com que o bater de asas de uma simples borboleta influencie o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.
Um exagero, certamente, mas provável quanto à psicosfera.
A psicosfera terrestre é o endereço sideral para onde vão todos os homens quando desencarnam, o que significa dizer que, passamos muito tempo lá...
Exaustivamente os Espíritos em superior adiantamento moral informam que, embora sem fronteiras demarcadas, nas regiões espirituais que compõem a psicosfera terrestre, em cada uma delas só habitam Espíritos cujo grau evolutivo para tanto ali os credencia. E isso é válido em todos os níveis de plataforma moral.
Daí que no espaço sideral há mesmo muitas camadas espirituais, ou como lecionou o Mestre Jesus: “há muitas moradas na casa do meu Pai”.
Não me objeta refletir que o Cristo assim se expressava, referindo-se já a partir desta nossa abençoada casa planetária.
*
Não há aqui opinião pessoal, aliás, de todo, sempre dispensadas...
Para que os próprios leitores analisem, reflitam e concluam observações elenquei, isto sim, pronunciamentos de vários Espíritos, estudiosos do Espiritismo, todos tratando desse instigante assunto: as esferas espirituais.
Na leitura atenta desses registros percebe-se que assim como o planeta acha-se envolvido por camadas atmosféricas, que a ciência bem já definiu, igualmente circundam-no, na sua parte astral, regiões espirituais.
Essas regiões têm vida intensa e em cada uma habitam Espíritos — talvez milhões deles —, alocados pelas Leis Divinas, invariavelmente na razão direta do merecimento individual, isto é, os habitantes de cada região guardam em si mesmos sintonia e nível evolutivo similar.
Assim, como a Grande Lei contempla o livre-arbítrio, existem moradas felizes e infelizes, todas construídas e mantidas por seus moradores.
Outro detalhe que captei: muitas são as denominações para essas paragens astrais, mas todas convergindo para as mesmas características: camadas espirituais, regiões astrais, esferas espirituais, degraus espirituais, moradas de luz, etc., são algumas das denominações observadas. Sobre esse detalhe permito-me grifar essas expressões, destacando assim o enunciado.   
A seguir, resumidamente, alguns detalhes que apurei das informações existentes na literatura espírita sobre esferas espirituais:
Começo, obviamente, por:
1. Allan Kardec
“O Céu e o Inferno”, 32ªEd., 1984, FEB, RJ/RJ
- Na 1ª Parte, cap. IV, itens 1,5,7, comentando sobre o “Inferno”, registra que na Antiguidade o homem acreditou, por intuição, que a vida futura (depois da morte) seria feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal praticado neste mundo.
Tanto os antigos quanto os cristãos localizaram o reino da felicidade nas regiões superiores; nas regiões inferiores (cavidades sombrias, terríveis, no centro da Terra) estariam os condenados aos suplícios eternos.
Por analogia, verifica-se que o inferno dos pagãos tinha, de um lado, os Campos Elíseos, e do outro, o Tártaro; no Olimpo, situado nas regiões superiores, localizava-se a morada dos deuses e dos homens divinizados.
No Evangelho está escrito que Jesus desceu aos infernos, isto é, aos lugares baixos para deles tirar as almas dos justos que lhe aguardavam a vinda.
A morada dos Anjos, assim como o Olimpo, era nos lugares elevados, que eles colocaram-na para além do céu estelar, então considerado limitado.
- Na 1ªParte, cap. IX, nº 13: está registrado que os Anjos banidos, em legiões, moram nas camadas inferiores da nossa atmosfera e percorrem todas as partes do globo.
“A Gênese”, cap. XIV, 35ª Ed., 1992, FEB, RJ/RJ
- No item 9 Kardec reflete sobre a natureza do envoltório fluídico (perispírito) do Espírito, que está sempre em relação com o seu grau de adiantamento moral. Os Espíritos inferiores não podem mudá-lo à sua vontade. Por isso, muitos Espíritos grosseiros acreditam-se ainda encarnados e por essa razão permanecem na superfície da Terra.
- No item 10 vê-se: (...) “A camada de fluidos espirituais que cerca a Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras, do que as camadas superiores”.
A constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço circundante.
2. Léon Denis
“No Invisível”, 1ª Parte, 16ªEd., 1995, FEB, RJ/RJ
- No Item III, p. 51, relata sobre o grau de pureza das almas: as etéreas, radiosas e de sublimes harmonias elevam-se às “esferas divinas”; já as almas opacas, tenebrosas, precipitam-se nas regiões inferiores, palco de luta e sofrimento.
“Depois da morte”, 12ª Ed., 1ª Parte, 1983, FEB, RJ/RJ
- Item 3, “O Egito”: As almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, porém as almas virtuosas sobem voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas. Impregnam-se com a lucidez da consciência esclarecida pela dor, com a energia da vontade adquirida pela luta. Tornam-se luminosas, porque possuem o divino em si próprias e irradiam-no em seus atos. Reanima pois teu coração, ó Hermes, e tranquiliza teu espírito obscurecido pela contemplação desses voos de almas subindo a escala das esferas que conduz ao Pai, onde tudo se acaba, onde tudo começa eternamente. E as sete esferas disseram juntas: Sabedoria! Amor! Justiça! Beleza! Esplendor! Ciência! Imortalidade!
(Grifos meus.)
- Item 33: “A Vida no Espaço”: As almas colocam-se e agrupam-se no espaço segundo o grau de pureza do seu respectivo invólucro; a condição do Espírito está em relação direta com a sua constituição fluídica, que é a própria obra, a resultante do seu passado e de todos os seus trabalhos. Determinando a sua própria situação, acham, depois, a recompensa que merecem. Enquanto a alma purificada percorre a vasta e fulgente amplidão, repousa à vontade sobre os mundos e quase não vê limites ao seu voo, o Espírito impuro não pode afastar-se da vizinhança dos globos materiais.
3. André Luiz
“Evolução em dois mundos”, A.Luiz/F.C.Xavier-W.Vieira, 1ª Parte, “Esferas Espirituais”, 11ªEd., 1989, FEB, RJ/RJ
- cap. 13: Muitos comunicantes da Vida Espiritual têm afirmado, em diversos países, que o plano imediato à residência dos homens jaz subdividido em várias esferas. Assim é com efeito, não do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições.
“Libertação”, A.Luiz/F.C.Xavier, 6ª Ed., 1974, FEB, RJ/RJ
- cap. IV, p.52-53 e 62 e cap. V, p. 93: Equipe socorrista faz travessia nas regiões espirituaisem descida”. Ali: vasto domínio das sombras; volitação impossível; vegetação sinistra e angustiosa; apelos cortantes vindos dos charcos; equipes de Espíritos armados, em trajes bisonhos, não registram presença amiga. Após planalto que se quebrava em abrupto despenhadeiro, em distância de dezenas de quilômetros, sucediam-se furnas e abismos, onde se amontoavam milhares de criaturas que abusaram de sagrados dons da vida.
“Nosso Lar”, 48ª Ed., 1998, FEB, RJ/RJ
- cap. 12, p. 69-71, cap. 16, p. 90-91: o umbral é zona obscura, começa na crosta terrestre. Ali há concentração de legiões compactas de almas ignorantes, nem perversas (para serem encaminhadas a colônias de reparação mais dolorosa), nem nobres: para merecer planos de elevação.
O Espírito André Luiz diz-nos que sua mãe reside em “esfera elevada” e que seu pai habita “zona de trevas compactas”; suas irmãs acham-se no umbral, agarradas à crosta terrestre.
Obs.: No livro “Cidade no além”, de F.C.Xavier, Heigorina Cunha e os Espíritos André Luiz e Lúcius, 24ªEd., 1983, IDE, Araras/SP, há figuras explicativas, com esboços puramente pedagógicos: vê-se o planeta Terra e as esferas espirituais (camadas) adjacentes. Informações dos autores do livro dão conta de que a cidade Nosso Lar, assinalada com uma estrela, está localizada na 3ª esfera acima da Crosta, sobre uma extensa região do Estado do Rio de Janeiro (entre as cidades do Rio de Janeiro, Campos / Itaperuna), em faixa que pode ser definida como a periferia do Umbral).
4. O Espírito Camilo
“Memórias de um suicida”, Autor espiritual “C.C.Botelho”, psicografia de Yvonne. A. Pereira, 5ª Ed., 1975, FEB, RJ/RJ
- cap. I, p. 15-16: tratando das regiões do mundo invisível descreve o panorama desolador da região onde se viu (“vale dos suicidas”), aprisionado após cometer o suicídio: vales profundos, cavernas sinistras, só sombras, gargantas sinuosas; uivos de maltas de demônios enfurecidos; ar pesadíssimo, asfixiante, gelado, enoitado; jamais haverá ali paz, consolo, esperança...
 
(Este artigo será concluído.)

 

In “Evolução em Dois Mundos”, A.Luiz/F.C.Xavier-W.Vieira, 1ª Parte, cap. XVII, “Aura Humana”, 11ª Ed., 1989, FEB, RJ/RJ.

 
Teoria do Caos: para a física e a matemática é a hipótese que explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. Um exemplo: na natureza, onde esses sistemas são comuns, a formação de uma nuvem no céu pode ser desencadeada e se desenvolver com base em centenas de fatores que podem ser o calor, o frio, a evaporação da água, os ventos, o clima etc. 
Fonte http://www.oconsolador.com.br/ano11/524/especial.html


Adão e Eva e o Paraiso Perdido - Exilados da Capela


O reino de Deus e o paraíso perdido
 
Moisés relata no Gênesis a história de Adão e Eva, que teriam sido – segundo a interpretação literal das Escrituras – os primeiros seres humanos a habitar a Terra. Criados por Deus, eles viviam num jardim de delícias: o Éden bíblico, mas, tentados pela serpente, comeram o fruto proibido da árvore da ciência e foram expulsos do paraíso para a Terra, onde sua sobrevivência dependeria, a partir de então, do seu próprio trabalho. 
 
Essa explicação, adequada ao nível de compreensão do povo judeu da época de Moisés, não pode ser aceita como verdade absoluta nos tempos atuais, em que o progresso intelectual e científico é muito mais apurado. Com efeito, as teorias que identificam nos seres humanos o resultado do aprimoramento biológico, ao longo dos milênios, de organismos primitivos que povoaram inicialmente a Terra, são hoje amplamente difundidas, aceitas pela comunidade científica e confirmadas pelo Plano Espiritual. 

As recentes descobertas da Antropologia e da Arqueologia não só têm confirmado essas teorias como fornecido argumentos em favor da tese do povoamento simultâneo de várias regiões do planeta, por meio de povos que, embora oriundos de uma única raça – a raça humana –, apresentavam característicos físicos distintos, o que explica sua origem diversificada e seu desenvolvimento independente. 

 A simbologia da narrativa bíblica reflete fenômeno usual no processo de desenvolvimento e evolução dos orbes e dos Espíritos que os habitam. Os mundos progridem através do crescimento em moralidade e sabedoria dos seres que neles vivem. Quando um planeta atinge uma fase de culminância em sua transição evolutiva, os Espíritos que não acompanharam o progresso geral do orbe e se tornaram ali elementos de perturbação do bem-estar da coletividade são conduzidos a mundos menos adiantados, onde aplicarão sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos em benefício do progresso da humanidade que os habita. 

Tais Espíritos expiarão, no contato com as difíceis condições de vida do seu novo ambiente e entre povos mais atrasados, as faltas passadas e o endurecimento voluntário, sofrendo o guante da dor que os impulsionará à renovação. Essas migrações entre os diversos mundos do Universo são periódicas e podem efetuar-se com os elementos de um povo ou de um planeta. 

Os exilados de Capela exerceram na Terra um papel importante

 No Gênesis, Moisés registra as reminiscências de um grupo de Espíritos, personificados por Adão e Eva, que migrou para a Terra, proveniente de um planeta do sistema orbital da estrela chamada Cabra ou Capela, pertencente à constelação do Cocheiro. Há milênios – informa Emmanuel em seu livro “A Caminho da Luz” – esse planeta capelino, que guarda muitas afinidades com a Terra, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá se encontravam dificultando a consolidação das penosas conquistas de um povo que, no geral, era imbuído de virtudes e fizera jus à concórdia, para a edificação dos seus elevados programas de trabalho. 

As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmo, deliberaram, então, localizar aquelas entidades rebeldes, que se haviam tornado pertinazes no crime, aqui neste mundo longínquo, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração, ao mesmo tempo que impulsionariam o progresso intelectual dos seus irmãos inferiores. 
 
 Na dor do seu exílio e da separação de seus entes queridos, foram eles recebidos por Jesus, que, com suas amorosas advertências, despertou-lhes as esperanças de redenção no porvir e os convidou à cooperação fraterna para o aprimoramento dos povos primitivos que habitavam nosso planeta. A eles, Jesus prometeu a assistência cotidiana e sua vinda futura, para indicar-lhes o caminho que lhes possibilitaria o retorno ao paraíso perdido. 

Com o auxílio daqueles Espíritos aflitos e endividados, que reencarnaram nas regiões da Terra já habitadas pelos povos primitivos, as falanges de Jesus procederam ao aperfeiçoamento dos caracteres biológicos dos seres humanos que aqui encarnariam e lançaram as bases do progresso e da civilização no planeta. Vivendo entre povos primitivos, ainda em situação de barbárie, os exilados de Capela sentiram-se degredados, conduzidos a ambiente rude, para expiar suas faltas; mas, intuitivamente, almejavam o retorno ao paraíso perdido, cuja lembrança na esfera da intuição propagou-se através das gerações e foi relatada nas páginas bíblicas de forma alegórica. 

 A figura de Adão deve ser compreendida, portanto, como símbolo da humanidade terrena. Sua desobediência às determinações divinas representa a infração das leis do bem, em que incorreram os homens, particularmente os exilados do sistema capelino, ao se deixarem dominar pelos instintos materiais. A árvore da ciência é uma alegoria relativa à possibilidade de o homem discernir entre o bem e o mal, através do progresso intelectual e do consequente desenvolvimento do seu livre-arbítrio, que acarreta a responsabilidade por seus atos. 

Muitos exilados de Capela ainda continuam na Terra

 O fruto da árvore da ciência, que floresce no meio do “jardim das delícias”, corresponde ao produto da evolução material e se constitui no objeto dos desejos materiais do homem. Comer o fruto é deixar-se vencer pelas sensações da matéria, em detrimento das conquistas espirituais que cumpre realizar. 

 A árvore da vida simboliza a vida espiritual, é referência às conquistas em moralidade e demais bens do Espírito, que o orbe capelino efetivara e de que os exilados já não poderiam aproveitar por se haverem desarmonizado com o ambiente espiritual daquele planeta. 

A serpente simboliza, pelas suas formas e modo de locomoção, a sinuosidade dos maus conselhos que, contornando os obstáculos da consciência, conseguem atingir o ser, ao encontrar os resquícios da inferioridade no âmago do seu coração. 

Desse modo, os ensinamentos espíritas relativos à chamada raça adâmica esclarecem o mito registrado no Gênesis e fornecem explicação racional para as reminiscências das promessas da vinda do Messias, encontradas em diversas comunidades terrenas.

Grande número dos Espíritos exilados só pôde retornar ao seu orbe de origem depois de muitas existências na Terra. Alguns, todavia, ainda se encontram por aqui, devido ao seu endurecimento no mal.


Bibliografia: 
A Gênese, de Allan Kardec, cap. 11, itens 38 a 49, e cap. 12, itens 2 a 26.
A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pág. 34.
Extraído http://www.oconsolador.com.br/ano2/78/esde.html
 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 CAP 21


ONTOLOGIA ESPÍRITA - CORPO - ESPÍRITO - PERISPÍRITO
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO A FILOSOFIA ESPÍRITA – J. Herculano Pires – Ed. FEESP
ESTUDO DA FILOSOFIA ESPÍRITA – Jefferson José Buy – Ed. FEESP
FILOSOFIA ESPÍRITA – TOMO II – Manoel P. São Marcos – Ed. FEESP
DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA – Manuel Portásio Fº - Ed. FEESP

REFLEXÃO
PERISPÍRITO X CORPO GLORIOSO
O Corpo Glorioso segundo a doutrina Católica é um corpo de carne que possui os seguintes atributos:
a-) a incorruptibilidade – não sofre mais e nem morre
b-) a agilidade – a faculdade de locomoção rápida como o espírito
c-) a subtilidade – atravessar corpos mais duros
d-) a claridade – tem o fulgor do Sol
O Perispírito segundo a doutrina Espírita é um corpo fluídico não material, mas energético através do qual o espírito atua. Sua forma é moldada pelo espírito e os atributos entre outros são os do corpo glorioso. Estaria a doutrina atualizando o conceito de corpo glorioso em função dos novos conhecimentos a respeito da matéria e da energia?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Precisamos, em termos de doutrina espírita, estar sempre andando em paralelo com a Filosofia, que chamamos tradicional, comparando e investigando as diferentes correntes filosóficas e as respectivas formas de entender a problemática humana. Assim, esta aula procura nos trazer a compreensão de como a Filosofia Espírita visualiza a Ontologia e qual a sua compreensão do Ser e do Ente.
2ª PARTE: INTRODUÇÃO
O entendimento do que é o Ser tem as mais diferentes concepções em função da crença religiosa ou linha filosófica de cada individuo. Assim, para o materialista, somos exclusivamente matéria, onde os pensamentos são todos oriundos do cérebro, da genética, dos fenômenos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em nosso encéfalo. Para a doutrina católica, “o homem é um ser composto de duas substancias distintas, - corpo e alma – unidas em uma natureza só” (DOUTRINA CATÓLICA – Manual de Instrução Religiosa – Curso Superior – Edit Paulo de Azevedo – Coleção FTD – pag 97) e mais adiante “a alma humana, distinta do corpo, embora unida a ele por laços íntimos, é uma substância espiritual com duas faculdades soberanas razão e vontade livre que pode existir fora do corpo, e, portanto, depois da morte dele” (mesma referência acima, pag. 100). Para as doutrinas reformadas (CONHECENDO AS DOUTRINAS DA BÍBLIA – Myer Pearlmam – Edit Vida – 1984 – 8ª edição) “mas segundo 1 Tess. 5:23 e Heb 4:12, o homem se compõe de três substancias – espírito, alma e corpo; alguns estudantes da Bíblia defendem essa opinião de três partes da constituição humana VERSUS doutrina de duas partes, adotadas por outros” .......”embora distintos, o espírito e a alma são inseparáveis, são entrosados um no outro. Por estarem tão interligados, as palavras “espírito” e “alma” muitas vezes se confundem (Ecl. 12:7 e Apóc. 6:9)” (pag 72 do livro citado acima).Para os espíritas, o Ser é: corpo, espírito e perispírito.
Esse estudo, cuja denominação é Ontologia, vamos abordar nas etapas seguintes mostrando as diferentes concepções.

3ª PARTE: O QUE É A ONTOLOGIA
A ontologia significa, etimologicamente, a Ciência do Ente (o corpo), mas que abrange também o Ser (o espírito), ou seja, é o estudo ou conhecimento do Ser, dos entes ou das coisas tais como são em si mesmas.
Tudo começou com a Metafísica em Aristóteles. O termo Metafísica vai tomando diferentes conotações ao longo do tempo. De inicio ela teve uma concepção de Teologia, depois a Metafísica já se confunde com a Ontologia e finalmente passa a ter um significado de Gnosiologia.
A palavra Metafísica foi empregada pela primeira vez por Andrônico de Rodes, por volta do ano 50 aC, quando recolheu e classificou as obras de Aristóteles que, durante muitos séculos, haviam ficado dispersas e perdidas, tais escritos haviam recebido uma designação por parte do próprio Aristóteles, quando este definira o assunto de que tratavam: são os escritos da Filosofia Primeira, cujo tema é o estudo do “ser enquanto ser”. Desse modo, o que Aristóteles chamou de Filosofia Primeira passou a ser designado como Metafísica. No século XVII, o filósofo alemão Jacobus Thomasius considerou que a palavra correta para designar os estudos da Metafísica ou Filosofia Primeira seria a palavra Ontologia.
O problema do Ser pode ser considerado como elo que mantém a união entre o pensamento religioso e filosófico. O entendimento do Ser tão refletido e discutido pela Filosofia Tradicional chega à Filosofia Espírita de forma pouco usual, através da Revelação (informação da espiritualidade Superior) e da Cogitação (reflexão filosófica). Os espíritos superiores revelaram a existência do Ser através da comunicação mediúnica, mas os homens confirmaram essa existência pela cogitação, pela pesquisa mental desse problema.
Mas o que é o Ser? A palavra ser é muito ampla. Tudo é ser. O Nada é o Não Ser. Vamos explorar o termo: ser de uma parte significa existir, estar aí, e de outra parte significa também, consistir. Quando nos perguntamos: o que é o homem? Queremos saber qual sua essência, no que ela consiste.
E o Ente? Que é o ente? O dicionário filosófico diz que o Ente é qualquer dos significados existenciais do Ser. Podemos associá-lo ao corpo.
O fenômeno ser e não-ser impõe-se mutuamente. Para que se compreenda o significado do termo existir, é necessário que haja conhecimento do fato que há a possibilidade de não existir.
A questão que vem à tona neste momento é como o ser se relaciona com a morte. O confronto com a morte oferece a mais positiva realidade à própria vida, é o que torna a existência individual real, absoluta e concreta. O conformismo do homem moderno talvez seja a forma mais presente do fracasso existencial. Corresponde à perda da condição de uso do consciente, das potencialidades e de tudo o mais que caracterize o ser como único e original. Há certamente o ganho do escape temporário da ansiedade, ao preço, contudo, da perda de suas próprias faculdades e do sentido existencial.
A Existência para a Filosofia Espírita tem um sentido mais amplo do que a Existência para a Filosofia Tradicional. Tem a Existência do Ser enquanto Ente e a Existência no Ser no mundo espiritual.

4ª PARTE: AS VÁRIAS CONCEPÇÕES DO SER E DO ENTE
Para os materialistas o Ente e o Ser são a mesma coisa, pois apresentam sua existência como sendo somente Matéria. Alma e Espírito não existem. Os pensamentos, a vontade e todo psiquismo é originário da matéria. Nada mais existe ou sobrevive após a morte do corpo físico.
O dualismo cartesiano compreende a tese de que o ser humano é constituído por duas substâncias, a saber: a alma ou coisa pensante (res cogitans), e o corpo, ou coisa extensa (res extensa).
Para Aristóteles, a essência é a substância enquanto substância primeira (ousia prote), o ser individual, a substância segunda (ousia deutera), a forma. Husserl afirma a inseparabilidade da essência e da existência.
Na Gênese bíblica temos o seguinte relato: Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.
Para os cristãos, o Ser é constituído de corpo e alma sendo que esta sobrevive à morte do corpo físico. A existência se faz numa única vida. Assim o corpo é efêmero e a alma tem infinita duração. É a vida eterna. Cogita-se num corpo glorioso para Jesus e corpos incorruptíveis para os Santos.
Apesar de Paulo ter falado em Corpo Espiritual, os cristãos desconhecem sua verdadeira essência e se restringem na concepção do Ser como sendo corpo e alma.
Enfim, quando buscamos a essência do Ser (e aqui estamos voltados ao ser humano) as diferentes crenças colocam suas formas de ver o Ser. É neste ponto que a Filosofia se volta as diferentes teologias buscando e refletindo sobre os pontos comuns.
Essência e existência são os elementos básicos do ser. À pergunta: o que é o ser, temos uma infinidade de respostas, dependendo, é claro, do ponto de vista considerado. Se materialista, a essência estaria na matéria; se idealista, no espírito; se religioso dogmático, em Deus. Essa aparente contradição de pontos de vista é aclarada pelo Espiritismo, que faz a síntese de todas as correntes filosóficas.

5ª PARTE: A CONCEPÇÃO ESPÍRITA DO SER
A Doutrina Espírita tem sua maneira de entender o que é o Ser e qual sua essência. Para ela, a essência, a forma e a existência são respectivamente, o espírito, o corpo e o perispírito (sendo este o vinculo dos outros dois).
Os seres têm uma essência que se desenvolve através da evolução: o princípio inteligente. Essa essência se reveste de formas diversas no processo evolutivo e estudado pela Ciência através dos seus ramos: Mineralogia, Botânica, Zoologia e Antropologia. Assim a essência e a forma constituem a existência.
A imagem simbólica do Gênese: “... e Deus modelou o homem da argila do solo...” adquire um sentido mais profundo. A expressão bíblica já não é mais um absurdo nem infantilidade. É a expressão de um processo cósmico de criação.
Para o Espiritismo, o homem não é apenas "o último anel da vida animal na terra" (A Gênese, Kardec), nem o produto quase exclusivo da ação simultânea do trabalho; mas também aquele ser que se mostra nos fenômenos de materialização, de aparição, de visão, de voz direta, de incorporação, de psicografia ou de tiptologia, para demonstrar "aos que ficaram" que ele não se extinguiu com a morte, e que o seu conteúdo moral continua a viver e a se desenvolver indefinidamente, na multiplicidade das formas, sem prejuízo da identidade substancial.
É evidente que o fato da sobrevivência alarga as concepções humanas da vida e do mundo, muito além dos limites terrenos ou orgânicos da concepção materialista. No ser humano, a realidade ontológica reflete a realidade cósmica no complexo Espírito, Perispírito e Corpo.

6ª PARTE: O CORPO
O corpo é o Ente. É a parte material do Ser. É a existência do Ser na sua forma corporal. Sua substancia material é composta de átomos que se agregam formando moléculas e estas por sua vez compõem as células que tem vida e tem um ciclo existencial também.
As células compõem os tecidos e estes os órgãos. Os órgãos compõem um sistema e o conjunto destes formam o corpo.
Um primeiro questionamento é a respeito da forma de todos esses componentes e do conjunto como um todo. Foi o acaso que o determinou? Foram as condições ambientais? E a similaridade entre os corpos? As diferenças entre os corpos masculinos e femininos? Existe no corpo algum órgão desnecessário? Todos têm sua finalidade? Todas as células se renovam? A memória se mantém?
Poderíamos acrescentar o pertinente questionamento do Filósofo Plotino: “Atribuir à espontaneidade e ao acaso a existência e a formação do mundo sensível é o absurdo de um homem que não sabe compreender nem olhar. É impossível que um amontoado de corpo faça a vida e que coisas sem inteligência engendrem a inteligência”.

7ª PARTE: O ESPÍRITO E SUA ESCALA
O Espírito é a essência do Ser e eles são os seres múltiplos e finitos que Deus cria com o barro simbólico do princípio inteligente, envolvidos na ganga do fluido universal e do princípio material.
O espírito não é energia e nem fluido, pois se o fosse, faria parte do mundo material. O espírito é o pensamento. O espírito é o psiquismo. O espírito é a vontade. Enfim, eu sou o espírito e o meu corpo é a minha vestimenta nesta encarnação, nesta existência.
Os sentidos não têm a sensação e a percepção do espírito. Somente quando ele está revestido do perispírito. Portanto a concepção de espírito só é possível através da cogitação filosófica e sua manifestação ao mundo material só se faz através do fluido perispiritico.
A potencialidade atualizada do espírito o coloca numa escala o qual estabelecemos os níveis inferiores como sendo aquela potencialidade ainda pouco desenvolvida e no outro extremo as potencialidades que se somam muitas experiências assimiladas.
O correto, portanto, é dizer o “espírito fulano de tal” e não como comumente costumamos escutar: o “espírito de fulano de tal”. Lembremos sempre que nós, enquanto espíritos, somos eternos enquanto o corpo é efêmero, passageiro, finito.
Kardec afirma no Livro de Médiuns: “A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna à primeira vista incompreensível o fenômeno das manifestações. Como estas não podem dar-se, senão exercendo o Espírito ação sobre a matéria, os que julgam que a idéia de Espírito implica a de ausência completa de tudo o que seja matéria perguntam, com certa aparência de razão, como pode ele obrar materialmente”.
“Ora, aí o erro, pois que o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o deixa, por ocasião da morte, não
sai dele despido de todo o envoltório. Todos nos dizem que conservam a forma humana e, com efeito, quando nos aparecem, trazem as que lhes conhecíamos”.
Encontramos na questão 82 do Livro dos Espíritos um maior esclarecimento da questão:
82 - É exato dizer que os Espíritos são imateriais?
Como podemos definir uma coisa quando não temos termos de comparação e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem a palavra, incorpóreo seria mais exato, porque deveis compreender bem que o Espírito, sendo uma criação, deve ser alguma coisa. É uma matéria puríssima, mas sem comparação ou semelhança para vós, e tão etérea que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.
Na questão 85 confirma-se a primazia do princípio espiritual sobre o princípio material, que preexiste e sobrevive a tudo. Na questão 86 atesta-se a sua completa independência, podendo existir sem a existência da matéria, com a ressalva de que sua correlação é incessante, porque reage incessantemente um sobre o outro.

8ª PARTE: O PERISPÍRITO E O FLUIDO VITAL (A VIDA)
Em Coríntios I – 15,44 foi dito por Paulo: “ semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual”...
Entendemos o Corpo Espiritual ao qual Paulo se referia como sendo o que a codificação espírita denomina Perispírito.
A forma não pertence à matéria, mas dela se apodera para amoldá-la. Procede de um elemento intermediário: o Fluido Universal que em suas modificações diversas se apresenta como interação magnética, interação gravitacional, interação elétrica e mesmo o fluido vital.
Devemos entender igualmente, por vida ou fluido vital como sendo a energia sutil do fluido cósmico que atua diretamente no corpo físico é também efêmero. A morte do corpo se caracteriza pela perda completa do fluido vital.
Apesar dessa combinação de energias ou fluidos ainda não ser perceptível para nossos olhos ou instrumentação, temos paralelos na natureza que demonstram como “forças” ou energias aparentemente “invisíveis” provocam efeitos fantásticos. Hoje por exemplo temos a levitação de corpos de grandes dimensões, como trens, através de campos eletromagnéticos criados por supercondutores. Ao se aproximar uma lâmpada fluorescente, sem nenhum fio ligado a ela, de uma forte fonte de emissão de energia eletromagnética, tal como a antena de uma emissora de televisão ou uma torre de transmissão de energia elétrica em alta tensão, a lâmpada acende, emite luz, sem que, aparentemente, nenhuma “força” esteja agindo sobre ela.
Que dificuldades acharemos em admitir que o Espírito, com o auxilio do seu perispírito, possa levantar uma mesa, sobretudo sabendo que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?

9ª PARTE: CONCLUSÃO
O Espiritismo tem seu aspecto Existencialista. Vivemos como Ente nesta Existência e evoluímos através das existências sucessivas. Aprendemos que a realidade aparente é ilusória, pois se transforma, flui e se acaba. Ela é efêmera, mas necessária para chegarmos a realidade verdadeira.
Só a parte formal é perecível: corpo e perispírito. A essência do Espírito é indestrutível, é perene, pois representa a atualização das potencialidades.
Há uma espécie de seres que não figura na Ontologia Espírita: a dos seres condenados para sempre e aqueles voltados eternamente para o mal. A Filosofia Espírita não aceita essa concepção pois fere frontalmente o concepção de justiça e de amor infinitos de Deus.
Alan Krambeck

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula: Livro 3 Cap. 22 - Alma e Espírito – Composição do Perispírito
Leitura: Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Edit FEB

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA (CFE) LIVRO 3 CAP 25


É O ESPÍRITO A ESSÊNCIA DO HOMEM?

BIBLIOGRAFIA
PLATÃO, - Fédon – Biblioteca Clássica – trad. Heloisa Burati – 1ª. Ed. – SP - Edit. RIDEEL – 2005
DESCARTES, Rene – Meditações Metafísicas – 1ª. ed – SP - Ed. Abril Cultural – 1973
MORENTE, M. G. – Fundamentos da Filosofia – 3ª. ed – SP - Edit. Mestre Jou – 1967
DURANT, Will – História da Filosofia – 12ª. Ed – SP - Cia Edit Nacional – 1966
BISPOS DA HOLANDA – Novo Catecismo – A Fé Para Adultos – Instituto Catequético Superior de Nijmegen – SP - Edit. Herder – 1969

REFLEXÃO
A FILOSOFIA DO SER SEM ALMA
É possível haver filosofia sem contemplar a essência do ser?
A essência do ser pode deixar de ser o espírito?
Pode existir alguém mais cartesiano que Descartes sendo que este admite uma res para a essência?
Poderíamos admitir a filosofia espírita como sendo o caminho filosófico em direção ao conhecimento da verdadeira essência?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Esta aula tem por objetivo fazer um retrospecto sobre o Ser, viajor no tempo e no espaço, desde suas origens, suas manifestações junto à matéria e seu destino maior, qual seja, as moradas eternas onde habitam a sabedoria, a beleza, a harmonia e a criatividade.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
Este capítulo tem por finalidade investigar o que os principais filósofos pensaram sobre o que é a essência do Homem, a Alma, e o Espírito. Procura expor o que as religiões cristãs entendem por alma e espírito. Explicita também a unicidade e a dualidade corpo-alma.
Muitos foram os filósofos que trataram da essência, da alma e do espírito. Vamos investigar o pensamento de alguns deles no tocante a esses conceitos.
Não foram poucos os que entenderam a transcendência do ser, mas não foram muitos os que investiram numa tentativa de conceituar o que é a essência, a alma ou o espírito. É o ser debruçando-se sobre ele próprio.
Ousamos adentrar esse campo. Lembramos que o espírito requer metodologia diferenciada da usada na investigação do sensível, daquela que se faz através dos sentidos.
Assim como investigamos os filósofos a respeito dos conceitos de essência, alma e espírito também serão analisadas as diferentes doutrinas religiosas. Fundamentalmente buscamos explicitar o que cada uma apresenta como conceito de alma e de espírito.
Entendemos que esta investigação procura aclarar um pouco mais sobre nós mesmos. Quem realmente somos, se sub-produto de uma matéria transitória e efêmera que surgiu no ventre e finaliza no tumulo ou se somos algo mais que sobrevive ao corpo físico, que transcende a ele.
Faremos um comparativo entre a dualidade corpo-alma e a unicidade corpo-alma.

3ª. PARTE - ESSÊNCIA, ALMA E ESPÍRITO PELOS FILÓSOFOS
Eis, resumidamente, o pensamento de alguns filósofos sobre alma e espírito e sobre a dualidade
e unicidade corpo-alma.
Sócrates
Para sabermos o que Sócrates entendia por alma, nos utilizaremos do Fédon que é a narrativa
do diálogo de seus discípulos Cebes e Símias com o mestre no último dia de vida deste. Nesta conversa o filósofo descreve seu pensamento sobre a alma.
Sócrates apresenta quatro provas da imortalidade da alma através da teoria dos contrários, da
reminiscência e das idéias, objeto do pensamento e nesse diálogo fica muito clara a dualidade corpoalma.
Platão
Platão associa Idéia a Essência das coisas Assim, o termo idéia em si mesmo, significa duas coisas: primeiro, seus caracteres, sua essência que pode ser considerada a consistência, e segundo, Platão lhe confere uma existência real, ou seja, as idéias “são as essências existentes das coisas do mundo sensível”. Logo, o filósofo afirma que cada coisa do mundo sensível tem sua idéia no mundo inteligível.
“Em Menon, Platão expõe a doutrina de que o intelecto pode apreender as idéias porquetambém ele é, como as idéias, incorpóreo”. Ou seja, a alma humana teria contemplado as idéias, antes do seu nascimento, antes de prender-se ao cárcere do corpo.
Quando encarnada, perde o contato direto com aqueles modelos, perfeitos, existentes no Mundo
das Idéias, mas diante de suas cópias no mundo sensível vai gradativamente recuperando o conhecimento. Seria a lembrança ou a reminiscência das coisas.
Conhecer, então, seria lembrar o que foi apreendido no Mundo das Idéias. Isto implica em outra
doutrina platônica, qual seja, a da preexistência da alma em relação ao corpo, de sua incorruptibilidade e imortalidade.
Portanto, o filósofo trata o homem, tal como Sócrates, um ser dual, composto de corpo e alma.
Aristóteles
Para Aristóteles, “A alma é todo princípio vital de qualquer organismo, a soma de seus poderes e
processos. Nas plantas, a alma é simplesmente um poder nutritivo e reprodutor; nos animais é alem
disso, poder sensitivo e locomotor; no homem é, ainda, o poder da razão e o pensamento. Sendo a
alma o total dos poderes do corpo, não pode existir sem este; os dois são a forma e a cera, apenas
mentalmente separáveis mas, na realidade, um todo orgânico.”
O filósofo afirma que a alma é composta de duas partes, uma é a passiva que está ligada a
memória, e, por conseguinte, ao corpo, nasce e morre com ele. A outra parte é a “razão ativa” que é
universal e diferencia do elemento individual do homem.
Para o discípulo de Platão, contrariamente deste, o que sobrevive não é a personalidade com
suas afeições e desejos transitórios, mas o espírito, em sua mais abstrata e impessoalidade.
Resumindo, o que sobrevive é a alma imortal que se trata de “puro pensamento” não envolto
pela realidade vivida.
“Em suma, Aristóteles destrói a alma para dar-lhe a imortalidade; a alma imortal é puro
pensamento, não poluído pela realidade”
Tomas de Aquino
Tomas de Aquino trilha os caminhos estabelecidos por Aristóteles mostrando que há uma
relação íntima entre a vida e a alma em todos os seres. As plantas apresentam uma alma vegetativa, os animais uma alma sensitiva de tal forma que esta contém aquela e lhe é superior por apresentar o
atributo mobilidade. Acima destas existe a alma racional que apresenta a característica das duas
anteriores, e lhe acrescenta a vontade e o entendimento. Esta é individual de forma que cada ser
humano possui a sua alma racional particular.
Alem da alma racional, o homem apresenta uma alma espiritual que transcende a vida do corpo
depois de sua morte. O pensamento do filósofo afirma que esta alma espiritual é criada por Deus assim que o corpo é formado e quando da ocasião do aniquilamento do corpo, apesar de sua imortalidade, ela não mais se manifesta, pois o corpo é seu instrumento indispensável.
Na Summa Theológica, Tomas afirma que o homem não pode ser explicado como a união de
duas partes, a orgânica e a espiritual. Diz que se trata de uma união substancial de dois princípios, onde um opera em relação ao outro e a ausência de algum destrói a pessoa. Enfatiza que as
substancias coexistem e não podem ser admitidas separadamente.
Descartes
A forte desconfiança cartesiana em relação a teologia medieval cristã (tomista) leva o filósofo
através das res se aproximar novamente de Platão.
Descartes, assim como Platão, constrói o mundo dual. Para ele, a Res Cogitans é a alma
espiritual. Cogitatio para ele significava a atividade psíquica, espiritual.
A dualidade corpo-alma para Descartes é tão evidente que afirma ser a glândula pineal ou
epífise, situada no meio do cérebro, o órgão de ligação entre o corpo e a alma espiritual.
Christian Wolff define como dualista aquele que admite a existência de substancias materiais e
substancias espirituais. Segundo ele, foi Descartes o fundador do dualismo que reconheceu a existência de duas espécies de substancias: a corpórea e a espiritual.
Apesar de ter evidenciado a existência do Cógito, Descartes não aprofundou na busca da
essência, ou na consistência dele. Ele foi tratado intensamente como sendo a consciência. Também
não manifestou pensamento sobre sua gênese ou mesmo sua existência após o aniquilamento do corpo físico.
Descartes, através de suas Meditações, esclarece a natureza do espírito humano (Meditação
segunda) e a distinção real entre a alma e o corpo do homem (Meditação sexta).
A filosofia, a partir de Descartes, retoma o paradigma socrático-platonico no aspecto corpo-alma.
A Igreja, entretanto, exerce sua forte influencia sempre exaltando a linha tomista-aristotelica. Como a
instituição detém uma grande parte do patrimônio intelectivo do ocidente através das universidades e
pesquisas filosóficas, a linha socrática-platônica-cartesiana é sempre vista como mística,marginal e
objeto do ocultismo.

4ª. PARTE - ALMA E ESPÍRITO PELAS RELIGIÕES
CRISTIANISMO
Faremos distinção entre o cristianismo do Cristo e o cristianismo atual como foi estruturado pelas
igrejas “cristãs”. O primeiro é focado exclusivamente em suas palavras, que constam dos escritos dos
quatro evangelistas, palavras essas que assumimos, como sendo as que chegaram até nossos dias
sem nenhuma distorção. O segundo é aquele elaborado com auxilio de doutrinas e filosofias que foram posteriormente sendo acrescentadas por meio dos concílios e da tradição. Tudo começou envolvendo o judaísmo através do Velho Testamento. O atual cristianismo se assenta também nas idéias dos próprios discípulos e dos apóstolos, ou seja daqueles que não viveram diretamente com Jesus, alem disso, o cristianismo atual se assenta em resoluções tomadas por concílios.
Vamos considerar algumas citações de Jesus, ou que se encontram no evangelho, como sendo
seu diálogo:

Lucas 11, 24 – 26 “Quando o espírito imundo sai de um homem, começa a vagar pelos desertos,
procurando repouso. Não encontrando diz: Voltarei para minha casa, donde sai. E quando volta, ele a
encontra varrida e ornamentada. Vai então, e trás consigo sete outros piores do que ele. Entram e
fazem ali a sua morada. Deste modo, o ultimo estado daquele homem se torna pior que o primeiro.”

Marcos 5, 9 – 13 “Perguntou-lhe então Jesus: qual é o teu nome? Meu nome é Legião, porque somos
muitos. E implorava-lhe, com instancia, que não os expulsasse daquela região. Estava ali, junto ao
monte, pastando, uma grande manada de porcos. Os espíritos começaram a suplicar-lhes dizendo:
Mandai-nos para os porcos, para entrarmos neles. Jesus permitiu. Os espíritos imundos saíram do
possesso e entraram nos porcos.”

Mateus 10, 1 “Reuniu seus doze discípulos e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos para os
expulsarem.”

Mateus 10, 28 “Não tenhais receio daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma.”

Mateus 17, 3 “Ao mesmo tempo lhes apareceram Moises e Elias conversando com ele.”

Lucas 13, 11 “Apareceu ali uma mulher que havia dezoito anos, estava possessa de um espírito que a
tornava enferma.”

Lucas 16, 22- 25 “Quando morreu, este mendigo foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Do inferno, no meio dos tormentos, elevou seus olhos e viu, ao longe, Abraão, e Lázaro em seu seio. Gritou dizendo: Pai Abraão tende misericórdia de mim, mandai que Lázaro molhe na água a ponta de seu dedo para refrescar minha língua, pois eu sou atormentado nestas chamas. Disse-lhe Abraão: Meu filho lembra-te que recebestes teus bens durante tua vida, ao passo que recebeu os males. Agora ele é consolado, e tu és atormentado.”

Lucas 16, 27- 30 “Disse o rico: Eu vos suplico então, ó pai, que o mandeis a casa de meu pai, para que relate estas coisas a meus cinco irmãos e assim não venham também eles para este lugar de
tormentos. Respondeu-lhe Abraão: Eles tem a Moises e os profetas. Que atendam a seus
ensinamentos. O rico insistiu: Não pai Abraão, eles não os atendem. Se no entanto, alguém dentre os
mortos for ter com eles, farão penitencia. Replicou-lhes Abraão: Se não ouvem Moises e os profetas,
tampouco serão persuadidos, ainda que alguém dentre os mortos ressuscite.”

Lucas 23, 43 “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.”

Nas citações acima podemos avaliar que a individualidade é mantida após a morte do corpo. Em
algumas delas vemos o termo espírito imundo. Como estamos considerando as palavras do Evangelho sem os acréscimos posteriores, podemos assumir o termo, não como demônio, mas como seres extracorpóreos que podem ter tido existência junto ao corpo.

Em Lucas 16, 22 - 25, o diálogo mostra também a individualidade mantida após aniquilação do
corpo. Mateus 17, 3 cita a manifestação de Moises e Elias após ter deixado o corpo físico e mantendo
sua identidade surgindo diante dos discípulos Pedro, Tiago e João.

CATOLICISMO
Tratamos por Catolicismo todo complexo doutrinário da Igreja baseado na Bíblia, em doutrinas
que não se encontram na Bíblia, na Tradição, em resoluções tomadas por concílios, em estudos
teológicos de Agostinho e de Tomas de Aquino.
Os bispos da Holanda através do Novo Catecismo evidenciam sua teologia sobre o pensamento
aristotélico-tomista quando afirmam: “porque a própria Bíblia jamais concebe a alma totalmente
separada de qualquer corporeidade. E, também nós, homens modernos, já não conseguimos fazê-lo. O que alguém é relaciona-se tão intimamente com seu corpo que não podemos conceber um “eu” isolado, sem nenhum laço com esse mesmo corpo”.
Quanto a passagem bíblica onde Jesus fala (Mt 10, 28) “não temais os que podem matar o
corpo, mas não a alma” os mesmos bispos holandeses alegam que o termo “alma” utilizado por Jesus
“não significa em sua boca, espírito isolado do homem.”
Mais adiante, os bispos falam da ressurreição, que esse corpo “não é o das moléculas”, que os
falecidos começam a acordar como homem novo. “Quanto ao resto, devemos calar-nos: ignoramos o
como dessa realidade.” E mais adiante: “contentemo-nos com ficar bem perto das palavras bíblicas:
foram descansar, ressuscitarão, foram habitar junto ao Senhor.”
Portanto, a teologia da Igreja, pelo que foi mostrado, continua assentada em Tomas de Aquino e
Agostinho, exigindo obediência às questões de fé.

PROTESTANTISMO
Tratamos Protestantismo como sendo todo o conjunto doutrinário surgido nos séculos XVI em
diante em oposição ao Catolicismo romano. Entre eles se destacam as doutrinas provindas de Lutero,
Calvino, Wycliff e outros surgidos na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.
Os reformados apresentam seus conceitos de alma e espírito na interpretação das passagens
bíblicas do Velho Testamento, citadas abaixo.
Genesis 2, 7 “Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da
vida e o homem passou a ser alma vivente.”
Eclesiastes 12, 7 “O pó volte a terra, de onde veio e o espírito volte a Deus, que o deu.”
Eclesiastes 9, 5 e 6 “Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma
........... porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para
sempre não tem eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”
Da Genesis, os reformados entendem que o fôlego da vida é o nephesh (hebraico) e a pneuma
(grego) significando o sopro, a respiração e que muitas vezes foi traduzido como espírito, mas
corretamente seria o vento. Afirmam que em nenhuma tradução o termo significa algo imaterial, que
continua vivo fora do corpo. Assim, a junção do corpo (pó da terra) e o vento (fôlego da vida) tornou o homem vivente.
Do Eclesiastes 12, 7 entendem que o corpo volta a terra e o espírito volta a Deus que o criou.
Porem, a imortalidade da alma pode ser adquirida, segundo os reformados, caso o homem
passe aceitar Jesus como seu salvador. Estes argumentos são fundamentados em Atos 4, 12 e Mateus
7, 21 a 27.
Portanto, os reformados apesar de citarem trechos bíblicos (não de Jesus, mas do Velho
Testamento) reforçam a linha aristotélica-tomista, da unicidade corpo-alma.

ESPIRITISMO
O Espiritismo se desvinculou totalmente do sistema aristotélico-tomista, traçando novos
paradigmas assentados em Sócrates, Platão e Descartes. E sob o aspecto religioso, enfocou
exclusivamente o cristianismo do Cristo, ou seja, utilizou somente palavras do rabino galileu.
O Espiritismo se afastou totalmente de todos os acréscimos doutrinários feitos posterior ao
Cristo. Entre estes acréscimos temos:
1- Jesus passou ser considerado Deus.
2- Criação da figura do Espírito Santo (Deus-Pai, Deus-Filho, Deus-Espírito Santo).
3- Criação de figuras como Diabo e Demônio e de locais como Inferno, Céu e Purgatório
4- Submissão de todas as demais crenças tendo em vista que a salvação só se faz via Jesus.
Poucos filósofos ou linhas filosóficas se propuseram a investigar a existência do ser como
espírito, independente do corpo físico. Poucos se propuseram a falar de uma verdadeira imortalidade da
alma, mantendo a sua individualidade. Entendemos que se não mantiver a individualidade, não se
caracteriza como sendo imortalidade. Lembremos que o pensamento tomista a alma que sobrevive
nada tem de individual.
A fala do Cristo ao ladrão crucificado: “ainda hoje estarás comigo no Paraíso” deixa claro, a alma
individualizada no pós-morte.
Finalmente, a Doutrina Espírita se assenta sobre os pensamentos de Parmênides, Sócrates,
Platão, Plotino e Descartes, formando assim, um bloco platônico-cartesiano com a Teosofia, o
Hinduísmo, a Rosa-Cruz, a Cabala, a Maçonaria e tantas outras linhas dualistas.

5ª. PARTE - CONCLUSÃO
Ao pesquisar extensa bibliografia notamos o cuidado que devemos ter na leitura de livros de
história da Filosofia, e mesmo sobre filósofos, como os respectivos autores revelam suas inclinações
filosóficas e religiosas. A título de exemplo, Garcia Morente, Humberto Padovani, Battista Mondin, J. A.
Acha deixam transparecer claramente suas linhas filosóficas e religiosas. Tendo em vista isso,
precisamos aguçar nossa percepção para depurarmos essas inclinações. Alguns autores buscam
inclusive o aval das instituições religiosas, como o caso do “imprimatur”.
Entendemos que a linha platônico-cartesiana no qual a Doutrina Espírita se assenta precisa ser
contemplada e melhor investigada nos estudos da Antropologia Filosófica.
Por fim, considerando que o corpo é temporário, transitório, e efêmero, aquilo que persiste é a
essência, ou melhor, o espírito. Assim, podemos afirmar que a essência do homem é o espírito.
Quando falamos do espírito, estamos falando de nós, pois nós somos o espírito e não o corpoalma
que é fugaz, passageiro e efêmero.
Somos seres semi-etenos, fomos criados, tivemos início e não teremos fim.
Encerramos, nos questionando: Quem é mais importante: o homem ou o espírito?
Alan Krambeck

6ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 4 – Cap. 1 - Deus – A Teologia – A Teologia Espírita
Leitura:
Teologia Espírita – J. Palhano Jr – Edit CELD
Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Edit FEB




CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 CAP 24


COSMOGONIAS - COSMOLOGIA – OUTROS MUNDOS HABITADOS

BIBLIOGRAFIA
LIVRO DOS ESPÍRITOS – Allan Kardec – FEB
GÊNESE– Allan Kardec – FEB
INTRODUÇÃO A ASTRONOMIA E ASTROFÍSICA – Autores Diversos – CEP / INPE – 1999
Revista VEJA – edições 1594 e 1689
DEUS NA NATUREZA – Camille Flammarion
SITE
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/

REFLEXÃO

NÃO HÁ SABEDORIA, INTELIGÊNCIA, ORDEM E HARMONIA NO UNIVERSO?
Os espiritualistas admiram o movimento dos astros, a ordem e harmonia que a eles preside. Os espiritualistas vêem nestes fatos o pensamento de um Deus eterno, que impôs à Criação as leis imutáveis de sua perpetuidade.
Os materialistas afirmam que no Universo não há ordem nem harmonia, irregular irregularidade, os acidentes, a desordem, que excluem a hipótese de uma causa regida pelas leis da inteligência.
Semelhante afirmação será mesmo feita a sério?
Os espiritualistas podem refutar tais afirmações?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
O homem sempre questionou sua origem, a formação do seu mundo físico. As respostas evoluíram. No início eram os mitos que respondiam tais questões e atualmente a Ciência nos dá explicações de certa forma confortantes.
A Ciência estuda a natureza física, a Filosofia estuda os assuntos intelectuais, trata com o mundo sutil do pensamento e sentimento, da mente e emoções. O Espiritismo, ao estudar os assuntos espirituais, trata com o nível do mundo causal daquelas verdades últimas que ligam o homem de volta às suas origens.
Todas buscam compreender a ordem universal, assim, nós podemos interagir com as leis do universo conscientemente e colaborar com o plano cósmico, teoria e prática fundem-se para cooperar com a ordem universal.
Esta aula vai explorar o assunto desde os remotos tempos até nossos dias.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
Seja qual for o sistema a que se filiem nossas crenças íntimas, espiritualistas ou materialistas, todos estamos tomados pelo inexplicável mistério da vida. Porque não reconhecer com franqueza a nossa ignorância neste particular? E, contudo, essa ignorância deveria moderar um pouco o ardor negativista dos ateus, levando-os a tratar o enigma com menos presunção.
Para os espiritualistas Deus é potência e ato naturais, vive na Natureza, a harmonia do mundo não é menos digna de apreço do que o seu movimento mecânico. A direção inteligente do Universo deve ser constatada ao mesmo título das fórmulas matemáticas. Obstinar-se em só considerar a criatura com os olhos do corpo e jamais com os do Espírito, é parar voluntariamente à superfície.
É importante fazer a correta conceituação dos termos cosmogonia e cosmologia. Enquanto aquela esta  relacionada com explicações mitológicas e religiosas, a última designa o estudo do cosmos mostrando racional e logicamente a explicação de sua origem, desenvolvimento e destino.

3ª PARTE: COSMOGONIAS
O homem sempre teve a preocupação de como tudo começou. Sempre indagou o inicio e o final dos tempos. Tudo começou com os mitos, passou pela religião, pela filosofia e por último a ciência. Os povos antigos tinham as suas formas de entender o começo do mundo e o surgimento dos homens. A essas explicações denominam-se cosmogonias.
Cosmogonia ou Cosmogênese (do grego kosmos – mundo e genesis – geração) é a teoria da formação do Universo. O conceito grego de cosmos implicava a noção do mundo enquanto ordem, beleza, perfeição, harmonia divinas. Exprimível na linguagem matemática, isto é em termos de figura e número.
Povos como os hindus, os egípcios, os babilônios, os persas, os hebreus, os gregos, os chineses, os celtas, todos apresentavam explicações para a formação do mundo e o surgimento do homem. Desta forma, todas as culturas tinham suas cosmogonias.
À medida que o conhecimento foi evoluindo essas cosmogonias foram passando de mitos e histórias populares para posteriores explicações religiosas, em seguida para explicações mais racionais no âmbito da filosofia até chegarem aos nossos dias com explicações científicas. Muitos homens, porém, ainda se mantém apegados fortemente às tradições e dogmas religiosos.
As religiões dogmáticas através dos seus livros sagrados e tradições mantêm de maneira muito forte ainda apegos as suas explicações, mesmo que elas se apresentem em contradição com as explicações científicas. Utilizam o argumento que as verdades divinas são perenes e as dos homens são efêmeras, temporárias e falhas. Mantém assim forte intolerância com a ciência e esta por sua vez se torna intransigente com a religião.

4ª PARTE: COSMOLOGIA
Cosmologia é a ciência que estuda a origem, a estrutura e a evolução do Universo. É uma ciência multidisciplinar envolvendo a física, a matemática, a astronomia, a química e a filosofia. Seu objetivo é entender como o Universo se formou, porque ele tem essa forma atual e qual será seu destino futuro.
A noção real de um “universo” que existe além do sistema solar só veio aparecer no século XIX e a Cosmologia enquanto ciência individual somente passou a ser considerada no século XX.
A cosmologia na idade antiga esteve presente entre os egípcios e os babilônios florescendo na Grécia clássica. Esses povos, entretanto efetuaram fortes envolvimentos com a mitologia. Os macedônios propagaram esses conhecimentos e legaram principalmente aos egípcios. A era ptolomaica proporcionou um grande avanço na Astronomia.
O modelo de Ptolomeu (Universo geocêntrico) baseado em Aristóteles transformou-se em dogma adotado pela religião cristã. Admitia-se a Terra do homem como centro do Universo.
No final da era medieval, vários pensadores, cientistas e filósofos como Nicolau de Cusa, Giordano Bruno, Copérnico, Kepler e Galileu vieram quebrar o dogma cristão fazendo o homem perder o privilégio de ser o centro da criação.
A partir de Newton e Kepler, sabemos que o Universo é um dinamismo imenso, cujos elementos em sua totalidade não cessam de agir e reagir na infinidade do tempo e do espaço, com atividade infalível.
O acaso não tem guarida no mecanismo dos astros. Kepler viveu adorando a harmonia do mundo, e só como extravagância admitia dúvidas a respeito. Os fundadores da Astronomia, Copérnico, Galileu, Newton, todos estão de acordo no mesmo culto de Kepler.

5ª PARTE: A ESTRUTURA DO UNIVERSO
Os astrônomos já há muito que concluíram que o nosso Universo não é apenas um mar de estrelas e seus planetas dispersos pelo espaço. Pelo contrário, apresenta uma estrutura bem evidente, em diversos níveis. Assim, as estrelas encontram-se agrupadas em galáxias, as galáxias constituem grupos de ordem mais elevada designados enxames (clusters), e estes por sua vez formam super-enxames, presumindo-se que estes representem a hierarquia máxima dos sistemas ligados por forças gravitacionais. O enxame ao qual pertence a nossa galáxia é denominado Grupo Local e por sua vez faz parte do super-enxame da Virgem.
Num mapa do Universo recentemente elaborado por investigadores do Harvard-Smithsonian Center of  Astrophysics, revela-se a estrutura dos grandes grupos, circundados por grandes espaços vazios. Este tipo de estrutura é um dos grandes mistérios da cosmologia atual, uma vez que, partindo de uma origem explosiva como o Big-Bang, seria mais razoável esperar que a matéria estivesse
uniformemente distribuída pelo Universo. Existe um princípio fundamental na Física (mais concretamente o segundo princípio da termodinâmica) que postula que num sistema deixado entregue a si próprio a entropia tende a aumentar, a desordem tende a ser máxima; isto é precisamente o contrário do que observamos no nosso Universo.
O astrofísico e doutor em cosmologia Stephen Hawking, o mais famoso físico teórico da atualidade, no seu livro O Universo numa casca de noz, que o telescópio espacial Hubble – que opera em órbita a 300 quilômetros da Terra – tem possibilitado sondar mais profundamente o espaço, mostrando bilhões e bilhões de galáxias de variadas formas e tamanhos. Cada galáxia possui incontáveis bilhões de estrelas, muitas com planetas à sua volta (só a Via Láctea tem 100 bilhões de estrelas). Buracos negros misteriosos, cuja força gravitacional devora até a luz, corpos celestes situados a distâncias colossais, nuvens de gases e asteróides flutuando pelo espaço.
O Hubble não só mostrou que o Universo é povoado por inúmeras galáxias como a nossa Via-Láctea, como também descobriu algo de importância crucial em Cosmologia, a expansão do Universo, a plasticidade do espaço-tempo, alicerce fundamental da relatividade geral, é maravilhosamente expressa na expansão do universo.
Carregados pela geometria em expansão, os bilhões de galáxias decoram, com sua infinita riqueza de luz e forma, a imensidão e infinitude crescente do espaço. O Universo é uma entidade dinâmica, realizando a dança do devir, da transformação. Em todas as escalas, dos componentes mais minúsculos da matéria até o Universo como um todo, movimento e transformação emergem como símbolo da nova visão do mundo, substituindo a visão rígida da Física Clássica.

6ª PARTE: COSMOLOGIA MODERNA
Recentemente, uma nova Cosmologia está sendo divulgada. Trata-se de uma tentativa de unificar a mecânica quântica (que é aplicada no estudo das partículas subatômicas) com a cosmologia baseada na relatividade geral de Einstein (que é uma teoria da gravidade). Esta nova ciência tem tido a adesão de físicos como Stephen Hawking e o prêmio Nobel Murray Gel-Mann.
O mais interessante desta nova abordagem da cosmologia é que os novos modelos para a origem do Universo estabelecem que não teria surgido um Universo, mas sim um Multiverso, ou seja, uma multidão de Universos. O nosso Universo não seria mais do que uma bolha quântica num oceano infinito de universos paralelos.
A Teoria das Cordas faz a incrível afirmação de que as partículas que compõem tudo no Universo são feitas de ingredientes ainda menores, pequenas vibrantes fibras de energias que se parecem com cordas (strings), esta teoria para funcionar, precisa obrigatoriamente de 11 dimensões. Isso trouxe uma grande complicação ao mundo científico sobre como elas atuam nessas dimensões extras.
Cabe lembrar que os físicos, a partir das pesquisas do norte-americano Murray Gel-Mann, prêmio Nobel em 1969, nos aceleradores de partículas, já admitem a existência de um domínio externo ao mundo cósmico dito material onde existem agentes ativos também chamados frameworkers, capazes de atuar sobre a energia do Universo, modulando-a e dando-lhe formas de partícula atômica, ou seja, por outras palavras – o espírito, chamado também “Agente Estruturador”.
Num esforço de responder a pergunta: Do que é feito o Universo? Os cientistas chegaram à conclusão, por vias indiretas, de que existe uma matéria, que eles consideram “escura”, que tem natureza diferente da matéria usual que conhecemos. Neste caso, a diferença entre essa matéria escura e a referida energia escura é o fato de que a primeira se comporta como a matéria comum com relação a força gravitacional, isto é, a matéria escura é atraída pela matéria em geral. Já a energia
escura teria um comportamento contrário repelindo a matéria. Ela, portanto, segundo os cientistas, seria responsável pelo efeito de expansão do Universo. Alguns pesquisadores propuseram que ela forme um campo quântico batizado de quintessência, devido à sua pequena densidade.
A figura abaixo mostra a percentagem de cada tipo de energia e matéria do Universo necessária para que as observações astronômicas possam ser entendidas.
É importante acompanharmos o avanço da Ciência em todos os ramos do conhecimento, pois a Doutrina Espírita tendo um caráter progressivo está aberta às novas descobertas, desde que estejam plenamente comprovadas. Allan Kardec, com sua notável visão do futuro, ressalta em A Gênese, cap. I, item 55: [A Doutrina Espírita,] “(...) apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus.”
“Caminhando com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”

7ª PARTE: OUTROS MUNDOS HABITADOS.
Trezentos anos antes de Cristo, na Grécia antiga, dois grandes filósofos se colocavam em campos opostos quando o assunto era a existência de outros mundos. Aristóteles argumentava que nosso planeta era único e, portanto, o centro do universo e Epicuro afirmava que o cosmo era infinito e capaz de conter uma quantidade ilimitada de mundos. A ciência se encarregou de dar razão a Epicuro.
A identificação de novos planetas fora do sistema solar é uma das fronteiras mais fascinantes da ciência. Vários deles foram observados nos últimos anos, mas até agora nenhum revelou características semelhantes às da Terra, que pudessem abrigar formas de vida. Isso não significa que não existam.
A dúvida a respeito da vida fora da Terra é tão antiga quanto a própria espécie humana. Há milhares de anos pensadores, teólogos e cientistas se vêem às voltas com as mesmas perguntas. Em alguma outra parte do universo a vida inteligente floresceu como na Terra? Que aparência teriam esses seres? Em que estágios de evolução estariam hoje? Que tipo de pergunta fariam a respeito da própria existência? Também eles, como os humanos, se julgariam o centro e a razão de ser do universo? “Essas perguntas fazem parte das questões filosóficas essenciais, que dizem respeito à origem do universo e aos motivos pelos quais estamos aqui.” (Revista Veja – edição 1594 – 21 de abril de 1999 – páginas 108 a 110).
Buscando argumentos racionais que justifiquem a doutrina da pluralidade dos mundos habitados não se pode ignorar a vastidão do universo, com os seus incontáveis planetas, sistemas solares, galáxias, etc.
Com o avanço da astronomia e da astrofísica evidencia-se um universo infinito, e afirmar que só a Terra teria o "privilégio" de possuir uma humanidade seria condenar essa humanidade a ser exceção dentro das leis naturais ou divinas.
Desaparecendo o suposto privilégio da Terra, por ser igual a milhões e milhões de mundos, também desapareceria a idéia de um povo eleito, em detrimento de outros, e mesmo girando a Terra em redor do Sol não poderia o Senhor parar este, para que o dia se prolongasse até que a batalha fosse vencida.
Tais argumentos colocariam em risco a credibilidade das escrituras sagradas, daí as perseguições às teorias heliocêntricas e da pluralidade dos mundos habitados. Esquecem-se das reveladoras palavras de Jesus: "Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse já vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar." (João, cap. 14, v. 1).

8ª PARTE – COSMOGONIA ESPÍRITA
A Doutrina Espírita é deista, criacionista e evolucionista. Em outras palavras, tem em seus princípios a existência de um criador, denominado Deus que é a causa primeira de tudo quanto há. Nestes termos se afasta da ciência oficial que não se manifesta a respeito do assunto e por outro lado, se aproxima das religiões as quais todas admitem também a sua existência. É criacionista, pois tem por princípio que tudo quanto há foi criado por Deus (tal como as religiões).
A criação é por sua vez dinâmica e caminha de forma autônoma num processo de auto-aperfeiçoamento deterministicamente em direção a um estado de perfeita harmonia e realização. Este
evolucionismo se aproxima da tese acadêmica da evolução dos seres vivos, a qual só visualiza o aspecto material enquanto a doutrina espírita enfoca os dois lados, material e espiritual.
Com o brilhante astrônomo espírita Camille Flammarion podemos afirmar: “Que a ordem universal reinante na Natureza, a inteligência revelada na construção dos seres, a sabedoria espalhada em todo o conjunto e, sobretudo, a universidade do plano geral regido pela harmoniosa lei da perfecti-bilidade constante, apresenta-nos, já agora, a onipotência divina como sustentáculo invisível da Natureza, lei organizadora, força essencial, da qual derivam todas as forças físicas, como outras tantas manifestações particulares suas”.
“Há no Universo a razão espiritual dos que se elevaram à descoberta das leis que o regem e estas, por sua vez, existem, realmente. Se assim não fora, todo o edifício da razão humana ruiria pela base. Os processos de indução, que nos levam da análise à síntese, devem ter, com efeito, objetivos reais de aplicação, sem o que só podemos raciocinar no vácuo. Generalizar uma lei parcialmente observada, acreditar simplesmente que o Sol se levantará amanhã porque se levantou ontem; ou que o trigo semeado neste outono germinará antes do inverno e será colhido no próximo verão; traduzir os fatos naturais em fórmulas matemáticas, é supor que a Natureza subordina-se a uma ordem racional, e que o relógio marcará a hora acorde com a construção do relojoeiro”.
“O próprio processo de indução científica é um silogismo (dedução necessária) transportado dos domínios humanos aos da Natureza, reduz-se a este tipo fundamental; o mundo é regido por uma ordem racional; ora, a sucessão ou generalização de uns tantos fatos observados torna a entrar na ordem racional e, portanto, essa sucessão ou generalização existe”.
Com os ensinos da Espiritualidade aprendemos que: "A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos espíritos que neles encarnam moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos espíritos... ”.
"Do ensino dado pelos espíritos resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há os que são inferiores a Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores em todos os aspectos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual. (ESE Cap.3, item 2)

9ª PARTE – CONCLUSÃO
A Doutrina Espírita ao acompanhar a ciência acadêmica, difere das religiões que insistem em confrontá-la. Desde 1857, o Espiritismo afirma a existência de outros mundos habitados apesar da Ciência ainda não ter comprovado através de seus métodos rigorosos, mas que dentro de tempos já estabelecidos terá recursos para confirmar categoricamente a existência deles.
O Universo desdobra-se na sua realidade, como a manifestação de uma idéia una, de um plano único e de uma só vontade. Possa este quadro da vida eterna da natureza de Deus afastar os erros grosseiros que o materialismo espalha por toda parte, robustecendo-lhe a inteligência no culto puro da Verdade.
Possa o nosso espírito se compenetrar cada vez mais do belo manifestado na Natureza e santificar no Bem, apreciando mais completamente a unidade da obra divina, fazendo uma idéia mais justa do nosso destino espiritual, e conhecendo a nossa categoria na Terra em relação ao conjunto dos mundos, e sabendo, finalmente, que a nossa grandeza está em nos elevarmos constantemente na posse dos bens imperecíveis, que são apanágio da inteligência.
10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 3– Cap.25 – É o Espírito a Essência do Homem?

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 CAP 23


A MORTE – AS GUERRAS – AS CATÁSTROFES
A LEI DA DESTRUIÇÃO

BIBLIOGRAFIA
O Que é a Morte – Carlos Imbassahy
Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Editora FEB
Obras Póstumas – Item Perguntas e Problemas
O Mundo Invisível e a Guerra – Leon Denis

REFLEXÃO
A MORTE É UMA PASSAGEM OU UM FIM?
Para muitos homens nada mais há que uma existência no campo físico e com tempo limitado em torno de uma centena de anos. As conseqüências deste posicionamento além de pouco lógico é de muita angustia.
Outros homens assumem que ocorre uma morte do corpo, porém, se consolam por haver uma

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Esta aula tem por finalidade nos debruçarmos e investigarmos assunto tão importante na existência do ser. Apesar de nossa cultura procurar desviar sempre que possível o trato desse tema, somos todos compulsoriamente obrigados a passar por ele.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
Por que nossas conversas sempre fogem do assunto morte e de final de vida do ser humano?
Kardec trata com naturalidade o tema da extinção do corpo físico como parte de um processo maior que é a transitoriedade do mundo material.
Tudo flui – já dizia Heráclito. E o nosso corpo também. Tudo é efêmero, desde uma flor até uma rocha milenar.
Platão, tendo observado isso, afirma que vivemos num mundo de ilusão porque tudo o que é hoje já não é mais amanhã.
Trataremos da lei da transição ou da transformação que trazem consigo o processo de término das existências físicas, a morte. Dentro de um processo mais amplo estudaremos as causas da destruição, entre as quais, as guerras e as catástrofes.

3ªPARTE: O QUE É MORTE
“Tragada foi a morte pela vitória, Onde está ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (I Cor. 15:55).

4ª PARTE: A MORTE FÍSICA
Com o corpo privado do princípio da vida orgânica, a alma se desprende dele e reingressa no mundo dos Espíritos. Etimologicamente, morte significa "cessação completa da vida do homem, do animal, do vegetal". Genericamente, no entanto, a morte é transformação. Do ponto de vista espiritual, morrer nem sempre é desencarnar, isto é, liberar-se da matéria e das suas implicações. A desencarnação é fenômeno de abandono do corpo somático por parte do Espírito que, por sua vez, se desimanta dos condicionamentos e atavismos materiais, facultando a si mesmo plenitude de ação e de consciência.
Assim, a morte é fenômeno biológico, término natural da etapa física, que dá início a novo estado de transformação molecular; a desencarnação, de outra parte, ocorre depois do processo da morte orgânica, diferindo em tempo e circunstância, de indivíduo para indivíduo, podendo ser rápida, logo após a morte, ou se alongar em estado de perturbação, conforme as disposições psíquicas e emocionais do ser espiritual.
Enfim, a morte é apenas a destruição do envoltório corporal, que a alma abandona, como faz a borboleta com a crisálida, conservando, porém seu corpo fluídico ou perispírito.

5ª PARTE: A MORTE SOB A ÓPTICA DAS RELIGIÕES
Antropologistas, arqueólogos, exploradores desbravadores, todos que estudaram os povos primitivos, que desbravaram sertões, são contestes no assegurar que naquelas raças e povos havia a convicção da existência das almas e de sua comunicação com os vivos. Daí, desse fato consueto, nasceram às antigas religiões.
Lemaitre afirmava: “A crença na sobrevivência da alma tem estado tão universalmente espalhada na origem das civilizações, que não se possuir nenhuma prova de um povo que não tenha, de modo mais ou menos rudimentar, aderido a esta fé”.
Pitágoras cria ouvir a voz de um demônio no retinir do bronze. Aristóteles e Platão viam nos movimentos dos objetos os efeitos de uma alma (...). Lemaitre nos diz que depois da morte, a alma invisível erra por algum tempo na vizinhança de sua morada ou da sepultura antes de alcançar a cidade das almas.
Os homens primitivos – escrevia Georges Bureau – sempre tiveram medo dos mortos. E se tinham medo, alguma razão havia para isso.
Buda apresenta idéias (...) adiantadas e com semblante idêntico ao das atuais doutrinas dos espíritos. O Espírito é submetido à roda das encarnações. Esta vai para o espaço para onde leva a alma, e com ela volta, se ainda necessita ela das provas terrenas.
Confúcio parecia preocupar-se mais com o procedimento dos homens e a vida na Terra. A alguém que lhe indagava da existência futura, respondeu: “Se nada sabes desta, como queres saber da outra?”
Os japoneses não receiam a morte, e daí o seu heroísmo guerreiro; invocam os antepassados, os gênios protetores, os Kamis, e deles recebem auxílios e conselhos. A morte é a extinção do sofrimento em regiões melhores.
O Taoísmo de Lao-Tsé, contemporâneo de Confúcio é uma doutrina de excelente moral proclama que a alma será absorvida em Deus. (...) No Taoísmo se diz que as alternativas da vida e da morte são predeterminadas no Céu como a do dia e da noite. Uma sucederá a outra.
Ghazali, escritor persa, dizia: “Não chores os mortos, que a vida, não é mais do que a gaiola de onde os pássaros voaram”.
Sócrates falava da imortalidade com reservas. (....) “A vida provinha da morte como a morte provinha da vida” – afirmava ele. (...) “Saber é recordar”. E assegurava: “Se a alma existe anteriormente à vida deverá subsistir após a morte”
Para o Cristianismo. O destino das almas está irrevogavelmente assinalado: um lugar de suplício e um de bem-aventurança: O Céu e o Inferno. (...) O Catolicismo estabeleceu uma 3ª. estância – o purgatório, onde as almas estacionam até se encaminharem para o Céu.

6ª PARTE: AS GUERRAS
Qual a causa que leva o homem a Guerra?
- É a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, não conhecem senão o direito do mais forte; por isso, a guerra é para eles um
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estado normal. À medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade. O objetivo da Providencia, tornando a guerra necessária é a Liberdade e o Progresso. Quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então todos os povos serão irmãos.

7ª PARTE: AS CATÁSTROFES
Quando olhamos para o mundo à nossa volta, parece-nos que se multiplicam as catástrofes, os desastres, os cataclismos.
O Espiritismo, enquanto doutrina libertadora, progressista e evolutiva, e por isso mesmo considerada consoladora, objetiva auxiliar-nos a entender o porquê dos acontecimentos de nosso dia-a-dia, inclusive dos mais trágicos. Assim, para o entendimento da Lei Natural e da Justiça Divina, obtêm-se a conseqüente aplicação desses princípios no cotidiano, favorecendo sua vivência, promovendo a coerência entre o crer e o agir.
Alguns questionamentos são usuais, como, por exemplo: Por que acontece esse tipo de coisa? Qual a finalidade desses acidentes que causam a morte conjunta de várias pessoas? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações? Por que algumas pessoas escapam?
Naturalmente, as respostas exigem reflexão aprofundada com base em princípios fundamentais do Espiritismo, como a multiplicidade das encarnações e a anterioridade do Espírito. Esses pontos somam-se ao fato de que nós, enquanto Espíritos em processo evolutivo, temos um passado de descumprimento da lei divina que precisa ter seu rumo corrigido não apenas para equacionar nossos problemas de consciência, mas também para nos harmonizar com nossos semelhantes, afetados pelas nossas ações de desvirtuamento da Lei.
Começamos, assim, a conhecer o caminho para aplicação dinâmica e prática em nosso dia-a-dia da Doutrina que abraçamos, pela análise do mundo e sua transformação, percebendo a profundidade de conceitos como fatalidade, resgate coletivo, regeneração do planeta, além de favorecer o entendimento de ensinamentos de Jesus relacionados àquilo que alguns chamam de sinais dos tempos.

8ª PARTE: A LEI DA DESTRUIÇÃO
A Livro dos Espíritos em sua questão 737 afirma que: “[...] a destruição é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos”. Analisemos cada um desses conceitos: destruição, necessidade e regeneração moral.
Destruição importa necessariamente no aniquilamento da vida material, a interrupção da atual experiência reencarnatória. Há, os desencarnes naturais, os provocados e os violentos, em um dos vértices de análise conhecidos. Os naturais decorrem do esgotamento dos órgãos (L.E. 68 e 154) e representam o encerramento “programado” das existências corporais, segundo a lei de causa e efeito e o planejamento encarnatório do ser. Os provocados resultam da ação humana no espectro da criminalidade e da agressividade (assassínio, atentados, guerras). Os violentos encampam a ocorrência de catástrofes naturais (enchentes, terremotos, maremotos, ciclones, erupções, desmoronamentos, entre outros).
Em muitas situações, a ligação entre a catástrofe e a ação humana acha-se presente. Movido por interesses mesquinhos e sem a adequada compreensão do conjunto (vê-se a preocupação com os ecossistemas, a preservação do meio ambiente), os homens alteram a composição geológica, com escavações, desmatamentos, aterros e outros mais, e sua imprevidência acaba gerando as ocorrências das mencionadas catástrofes “naturais” (L.E. 741).
Também há os que, migrando de suas cidades para os grandes centros, habitam os morros, nas periferias das metrópoles, e, sem a mínima infra-estrutura, ficam à mercê das primeiras enxurradas. Ocorre, aí, um misto entre o evento natural e a ação humana, como causa direta do evento fatal, “[...] as faltas coletivamente cometidas são expiadas solidariamente” (Obras Póstumas), o que nos faz refletir e analisar de que as almas ali reunidas em desencarnes no mesmo momento temporal, possuem vínculos, muitas vezes, datados de épocas anteriores, e a circunstância de seu retorno à vida espiritual estava prevista pelo Plano Divino, em nível de resgate (veja-se, a questão 258 de O Livro dos Espíritos).
Todavia, necessário se torna qualificar a condição daqueles que, por comportamentos na atual existência, possam sublimar as provas, alterando para melhor o planejamento vital, garantindo a ampliação de sua permanência no orbe, redefinindo aspectos relativos à reparação de faltas e à
construção de novas oportunidades na condição de primeiro e principal responsável por tudo o que lhe ocorra.

9ª PARTE: CONCLUSÃO
Ao compreendermos que somos espíritos em evolução, que somos os viajantes alem do tempo e do espaço, que nossa existência está em plano alem do sensível, enxergamos a morte e a destruição como fatores inerentes ao processo evolutivo.
Ao entendermos que a matéria é complemento importante nesse processo, visualizamos um mundo onde as ocorrências cotidianas passam a ter outro significado num contexto holístico onde tudo esta conectado e segue caminho traçado dentro de uma grandeza onde só o Creador tem esse poder.
Alan Krambeck

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 3 – Cap. 24 – Cosmologia – Cosmogonias – Outros Mundos Habitados
Leitura:
LIVRO DOS ESPÍRITOS – Allan Kardec - Edit FEB

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