terça-feira, 11 de julho de 2017

A psicosfera terrestre e as esferas espirituais (Parte 1) - Eurípedes Kühl


Envolvendo o planeta Terra e projetando-se para distâncias imensas existem camadas de correntes mentais, produto do que pensam, como vivem e agem os homens, encarnados e desencarnados: essa é a psicosfera terrestre!
Num planeta onde o mal supera o bem, como o nosso, tais camadas, formadas pelos turbilhões de pensamentos bons ou maus que se entrecruzam — ora com sintonia, ora com repulsão —, obviamente, estão eivadas de vibrações majoritariamente deletérias, as quais tendem a influenciar, senão toda, grande parte da humanidade.
Ocorre que extrapolando a silhueta física todos os seres vivos possuem uma aura radiante. Nos humanos, em particular, a intensidade vibratória e características cromáticas são consentâneas com sua evolução moral e seu comportamento.
Na aura humana, de ação protetora qual “túnica eletromagnética”, (...) “halo energético” (...) “couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica” (...) “à maneira de campo ovoide”, nas expressões seguras do Espírito André Luiz[1], que se localizam as aberturas dos centros vitais de força (chacras), que ora captam, ora exaurem energias, incessantemente.
Nada objeta considerar que citada aura é a psicosfera de cada ser humano, “através da qual” (ainda segundo André Luiz) “somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins”.
Dessa forma, resta verdadeiro que a influência externa, se negativa, só acontecerá se houver desguarnecimento psíquico, isto é, invigilância moral, de que nossa aura dará identificação infalsificável.
A Lei Divina contempla solidamente que “a cada um segundo suas obras”...
A soma de todas as auras, com suas projeções radiantes entrecruzando-se, fruto dos incessantes pensamentos das criaturas humanas (encarnadas e desencarnadas) formará a psicosfera do mundo em que vivem, mergulhadas e sustentando-se mentalmente nesse mar de vibrações e  ondas — correntes eletromagnéticas, enfim. No nosso caso, a Terra.
Cada pensamento ou ação tem reflexos na psicosfera terrestre, muito embora imperceptíveis, individualmente, mas expressivos, no conjunto.
Algo assim como o chamado “efeito borboleta”, referente às condições iniciais dentro da teoria do caos[2], que segundo a cultura popular, faz com que o bater de asas de uma simples borboleta influencie o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.
Um exagero, certamente, mas provável quanto à psicosfera.
A psicosfera terrestre é o endereço sideral para onde vão todos os homens quando desencarnam, o que significa dizer que, passamos muito tempo lá...
Exaustivamente os Espíritos em superior adiantamento moral informam que, embora sem fronteiras demarcadas, nas regiões espirituais que compõem a psicosfera terrestre, em cada uma delas só habitam Espíritos cujo grau evolutivo para tanto ali os credencia. E isso é válido em todos os níveis de plataforma moral.
Daí que no espaço sideral há mesmo muitas camadas espirituais, ou como lecionou o Mestre Jesus: “há muitas moradas na casa do meu Pai”.
Não me objeta refletir que o Cristo assim se expressava, referindo-se já a partir desta nossa abençoada casa planetária.
*
Não há aqui opinião pessoal, aliás, de todo, sempre dispensadas...
Para que os próprios leitores analisem, reflitam e concluam observações elenquei, isto sim, pronunciamentos de vários Espíritos, estudiosos do Espiritismo, todos tratando desse instigante assunto: as esferas espirituais.
Na leitura atenta desses registros percebe-se que assim como o planeta acha-se envolvido por camadas atmosféricas, que a ciência bem já definiu, igualmente circundam-no, na sua parte astral, regiões espirituais.
Essas regiões têm vida intensa e em cada uma habitam Espíritos — talvez milhões deles —, alocados pelas Leis Divinas, invariavelmente na razão direta do merecimento individual, isto é, os habitantes de cada região guardam em si mesmos sintonia e nível evolutivo similar.
Assim, como a Grande Lei contempla o livre-arbítrio, existem moradas felizes e infelizes, todas construídas e mantidas por seus moradores.
Outro detalhe que captei: muitas são as denominações para essas paragens astrais, mas todas convergindo para as mesmas características: camadas espirituais, regiões astrais, esferas espirituais, degraus espirituais, moradas de luz, etc., são algumas das denominações observadas. Sobre esse detalhe permito-me grifar essas expressões, destacando assim o enunciado.   
A seguir, resumidamente, alguns detalhes que apurei das informações existentes na literatura espírita sobre esferas espirituais:
Começo, obviamente, por:
1. Allan Kardec
“O Céu e o Inferno”, 32ªEd., 1984, FEB, RJ/RJ
- Na 1ª Parte, cap. IV, itens 1,5,7, comentando sobre o “Inferno”, registra que na Antiguidade o homem acreditou, por intuição, que a vida futura (depois da morte) seria feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal praticado neste mundo.
Tanto os antigos quanto os cristãos localizaram o reino da felicidade nas regiões superiores; nas regiões inferiores (cavidades sombrias, terríveis, no centro da Terra) estariam os condenados aos suplícios eternos.
Por analogia, verifica-se que o inferno dos pagãos tinha, de um lado, os Campos Elíseos, e do outro, o Tártaro; no Olimpo, situado nas regiões superiores, localizava-se a morada dos deuses e dos homens divinizados.
No Evangelho está escrito que Jesus desceu aos infernos, isto é, aos lugares baixos para deles tirar as almas dos justos que lhe aguardavam a vinda.
A morada dos Anjos, assim como o Olimpo, era nos lugares elevados, que eles colocaram-na para além do céu estelar, então considerado limitado.
- Na 1ªParte, cap. IX, nº 13: está registrado que os Anjos banidos, em legiões, moram nas camadas inferiores da nossa atmosfera e percorrem todas as partes do globo.
“A Gênese”, cap. XIV, 35ª Ed., 1992, FEB, RJ/RJ
- No item 9 Kardec reflete sobre a natureza do envoltório fluídico (perispírito) do Espírito, que está sempre em relação com o seu grau de adiantamento moral. Os Espíritos inferiores não podem mudá-lo à sua vontade. Por isso, muitos Espíritos grosseiros acreditam-se ainda encarnados e por essa razão permanecem na superfície da Terra.
- No item 10 vê-se: (...) “A camada de fluidos espirituais que cerca a Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras, do que as camadas superiores”.
A constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço circundante.
2. Léon Denis
“No Invisível”, 1ª Parte, 16ªEd., 1995, FEB, RJ/RJ
- No Item III, p. 51, relata sobre o grau de pureza das almas: as etéreas, radiosas e de sublimes harmonias elevam-se às “esferas divinas”; já as almas opacas, tenebrosas, precipitam-se nas regiões inferiores, palco de luta e sofrimento.
“Depois da morte”, 12ª Ed., 1ª Parte, 1983, FEB, RJ/RJ
- Item 3, “O Egito”: As almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, porém as almas virtuosas sobem voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas. Impregnam-se com a lucidez da consciência esclarecida pela dor, com a energia da vontade adquirida pela luta. Tornam-se luminosas, porque possuem o divino em si próprias e irradiam-no em seus atos. Reanima pois teu coração, ó Hermes, e tranquiliza teu espírito obscurecido pela contemplação desses voos de almas subindo a escala das esferas que conduz ao Pai, onde tudo se acaba, onde tudo começa eternamente. E as sete esferas disseram juntas: Sabedoria! Amor! Justiça! Beleza! Esplendor! Ciência! Imortalidade!
(Grifos meus.)
- Item 33: “A Vida no Espaço”: As almas colocam-se e agrupam-se no espaço segundo o grau de pureza do seu respectivo invólucro; a condição do Espírito está em relação direta com a sua constituição fluídica, que é a própria obra, a resultante do seu passado e de todos os seus trabalhos. Determinando a sua própria situação, acham, depois, a recompensa que merecem. Enquanto a alma purificada percorre a vasta e fulgente amplidão, repousa à vontade sobre os mundos e quase não vê limites ao seu voo, o Espírito impuro não pode afastar-se da vizinhança dos globos materiais.
3. André Luiz
“Evolução em dois mundos”, A.Luiz/F.C.Xavier-W.Vieira, 1ª Parte, “Esferas Espirituais”, 11ªEd., 1989, FEB, RJ/RJ
- cap. 13: Muitos comunicantes da Vida Espiritual têm afirmado, em diversos países, que o plano imediato à residência dos homens jaz subdividido em várias esferas. Assim é com efeito, não do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições.
“Libertação”, A.Luiz/F.C.Xavier, 6ª Ed., 1974, FEB, RJ/RJ
- cap. IV, p.52-53 e 62 e cap. V, p. 93: Equipe socorrista faz travessia nas regiões espirituaisem descida”. Ali: vasto domínio das sombras; volitação impossível; vegetação sinistra e angustiosa; apelos cortantes vindos dos charcos; equipes de Espíritos armados, em trajes bisonhos, não registram presença amiga. Após planalto que se quebrava em abrupto despenhadeiro, em distância de dezenas de quilômetros, sucediam-se furnas e abismos, onde se amontoavam milhares de criaturas que abusaram de sagrados dons da vida.
“Nosso Lar”, 48ª Ed., 1998, FEB, RJ/RJ
- cap. 12, p. 69-71, cap. 16, p. 90-91: o umbral é zona obscura, começa na crosta terrestre. Ali há concentração de legiões compactas de almas ignorantes, nem perversas (para serem encaminhadas a colônias de reparação mais dolorosa), nem nobres: para merecer planos de elevação.
O Espírito André Luiz diz-nos que sua mãe reside em “esfera elevada” e que seu pai habita “zona de trevas compactas”; suas irmãs acham-se no umbral, agarradas à crosta terrestre.
Obs.: No livro “Cidade no além”, de F.C.Xavier, Heigorina Cunha e os Espíritos André Luiz e Lúcius, 24ªEd., 1983, IDE, Araras/SP, há figuras explicativas, com esboços puramente pedagógicos: vê-se o planeta Terra e as esferas espirituais (camadas) adjacentes. Informações dos autores do livro dão conta de que a cidade Nosso Lar, assinalada com uma estrela, está localizada na 3ª esfera acima da Crosta, sobre uma extensa região do Estado do Rio de Janeiro (entre as cidades do Rio de Janeiro, Campos / Itaperuna), em faixa que pode ser definida como a periferia do Umbral).
4. O Espírito Camilo
“Memórias de um suicida”, Autor espiritual “C.C.Botelho”, psicografia de Yvonne. A. Pereira, 5ª Ed., 1975, FEB, RJ/RJ
- cap. I, p. 15-16: tratando das regiões do mundo invisível descreve o panorama desolador da região onde se viu (“vale dos suicidas”), aprisionado após cometer o suicídio: vales profundos, cavernas sinistras, só sombras, gargantas sinuosas; uivos de maltas de demônios enfurecidos; ar pesadíssimo, asfixiante, gelado, enoitado; jamais haverá ali paz, consolo, esperança...
 
(Este artigo será concluído.)

 

In “Evolução em Dois Mundos”, A.Luiz/F.C.Xavier-W.Vieira, 1ª Parte, cap. XVII, “Aura Humana”, 11ª Ed., 1989, FEB, RJ/RJ.

 
Teoria do Caos: para a física e a matemática é a hipótese que explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. Um exemplo: na natureza, onde esses sistemas são comuns, a formação de uma nuvem no céu pode ser desencadeada e se desenvolver com base em centenas de fatores que podem ser o calor, o frio, a evaporação da água, os ventos, o clima etc. 
Fonte http://www.oconsolador.com.br/ano11/524/especial.html


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por sua mensagem. Será publicada após aprovação.