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segunda-feira, 10 de julho de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 CAP 21


ONTOLOGIA ESPÍRITA - CORPO - ESPÍRITO - PERISPÍRITO
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO A FILOSOFIA ESPÍRITA – J. Herculano Pires – Ed. FEESP
ESTUDO DA FILOSOFIA ESPÍRITA – Jefferson José Buy – Ed. FEESP
FILOSOFIA ESPÍRITA – TOMO II – Manoel P. São Marcos – Ed. FEESP
DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA – Manuel Portásio Fº - Ed. FEESP

REFLEXÃO
PERISPÍRITO X CORPO GLORIOSO
O Corpo Glorioso segundo a doutrina Católica é um corpo de carne que possui os seguintes atributos:
a-) a incorruptibilidade – não sofre mais e nem morre
b-) a agilidade – a faculdade de locomoção rápida como o espírito
c-) a subtilidade – atravessar corpos mais duros
d-) a claridade – tem o fulgor do Sol
O Perispírito segundo a doutrina Espírita é um corpo fluídico não material, mas energético através do qual o espírito atua. Sua forma é moldada pelo espírito e os atributos entre outros são os do corpo glorioso. Estaria a doutrina atualizando o conceito de corpo glorioso em função dos novos conhecimentos a respeito da matéria e da energia?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Precisamos, em termos de doutrina espírita, estar sempre andando em paralelo com a Filosofia, que chamamos tradicional, comparando e investigando as diferentes correntes filosóficas e as respectivas formas de entender a problemática humana. Assim, esta aula procura nos trazer a compreensão de como a Filosofia Espírita visualiza a Ontologia e qual a sua compreensão do Ser e do Ente.
2ª PARTE: INTRODUÇÃO
O entendimento do que é o Ser tem as mais diferentes concepções em função da crença religiosa ou linha filosófica de cada individuo. Assim, para o materialista, somos exclusivamente matéria, onde os pensamentos são todos oriundos do cérebro, da genética, dos fenômenos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em nosso encéfalo. Para a doutrina católica, “o homem é um ser composto de duas substancias distintas, - corpo e alma – unidas em uma natureza só” (DOUTRINA CATÓLICA – Manual de Instrução Religiosa – Curso Superior – Edit Paulo de Azevedo – Coleção FTD – pag 97) e mais adiante “a alma humana, distinta do corpo, embora unida a ele por laços íntimos, é uma substância espiritual com duas faculdades soberanas razão e vontade livre que pode existir fora do corpo, e, portanto, depois da morte dele” (mesma referência acima, pag. 100). Para as doutrinas reformadas (CONHECENDO AS DOUTRINAS DA BÍBLIA – Myer Pearlmam – Edit Vida – 1984 – 8ª edição) “mas segundo 1 Tess. 5:23 e Heb 4:12, o homem se compõe de três substancias – espírito, alma e corpo; alguns estudantes da Bíblia defendem essa opinião de três partes da constituição humana VERSUS doutrina de duas partes, adotadas por outros” .......”embora distintos, o espírito e a alma são inseparáveis, são entrosados um no outro. Por estarem tão interligados, as palavras “espírito” e “alma” muitas vezes se confundem (Ecl. 12:7 e Apóc. 6:9)” (pag 72 do livro citado acima).Para os espíritas, o Ser é: corpo, espírito e perispírito.
Esse estudo, cuja denominação é Ontologia, vamos abordar nas etapas seguintes mostrando as diferentes concepções.

3ª PARTE: O QUE É A ONTOLOGIA
A ontologia significa, etimologicamente, a Ciência do Ente (o corpo), mas que abrange também o Ser (o espírito), ou seja, é o estudo ou conhecimento do Ser, dos entes ou das coisas tais como são em si mesmas.
Tudo começou com a Metafísica em Aristóteles. O termo Metafísica vai tomando diferentes conotações ao longo do tempo. De inicio ela teve uma concepção de Teologia, depois a Metafísica já se confunde com a Ontologia e finalmente passa a ter um significado de Gnosiologia.
A palavra Metafísica foi empregada pela primeira vez por Andrônico de Rodes, por volta do ano 50 aC, quando recolheu e classificou as obras de Aristóteles que, durante muitos séculos, haviam ficado dispersas e perdidas, tais escritos haviam recebido uma designação por parte do próprio Aristóteles, quando este definira o assunto de que tratavam: são os escritos da Filosofia Primeira, cujo tema é o estudo do “ser enquanto ser”. Desse modo, o que Aristóteles chamou de Filosofia Primeira passou a ser designado como Metafísica. No século XVII, o filósofo alemão Jacobus Thomasius considerou que a palavra correta para designar os estudos da Metafísica ou Filosofia Primeira seria a palavra Ontologia.
O problema do Ser pode ser considerado como elo que mantém a união entre o pensamento religioso e filosófico. O entendimento do Ser tão refletido e discutido pela Filosofia Tradicional chega à Filosofia Espírita de forma pouco usual, através da Revelação (informação da espiritualidade Superior) e da Cogitação (reflexão filosófica). Os espíritos superiores revelaram a existência do Ser através da comunicação mediúnica, mas os homens confirmaram essa existência pela cogitação, pela pesquisa mental desse problema.
Mas o que é o Ser? A palavra ser é muito ampla. Tudo é ser. O Nada é o Não Ser. Vamos explorar o termo: ser de uma parte significa existir, estar aí, e de outra parte significa também, consistir. Quando nos perguntamos: o que é o homem? Queremos saber qual sua essência, no que ela consiste.
E o Ente? Que é o ente? O dicionário filosófico diz que o Ente é qualquer dos significados existenciais do Ser. Podemos associá-lo ao corpo.
O fenômeno ser e não-ser impõe-se mutuamente. Para que se compreenda o significado do termo existir, é necessário que haja conhecimento do fato que há a possibilidade de não existir.
A questão que vem à tona neste momento é como o ser se relaciona com a morte. O confronto com a morte oferece a mais positiva realidade à própria vida, é o que torna a existência individual real, absoluta e concreta. O conformismo do homem moderno talvez seja a forma mais presente do fracasso existencial. Corresponde à perda da condição de uso do consciente, das potencialidades e de tudo o mais que caracterize o ser como único e original. Há certamente o ganho do escape temporário da ansiedade, ao preço, contudo, da perda de suas próprias faculdades e do sentido existencial.
A Existência para a Filosofia Espírita tem um sentido mais amplo do que a Existência para a Filosofia Tradicional. Tem a Existência do Ser enquanto Ente e a Existência no Ser no mundo espiritual.

4ª PARTE: AS VÁRIAS CONCEPÇÕES DO SER E DO ENTE
Para os materialistas o Ente e o Ser são a mesma coisa, pois apresentam sua existência como sendo somente Matéria. Alma e Espírito não existem. Os pensamentos, a vontade e todo psiquismo é originário da matéria. Nada mais existe ou sobrevive após a morte do corpo físico.
O dualismo cartesiano compreende a tese de que o ser humano é constituído por duas substâncias, a saber: a alma ou coisa pensante (res cogitans), e o corpo, ou coisa extensa (res extensa).
Para Aristóteles, a essência é a substância enquanto substância primeira (ousia prote), o ser individual, a substância segunda (ousia deutera), a forma. Husserl afirma a inseparabilidade da essência e da existência.
Na Gênese bíblica temos o seguinte relato: Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.
Para os cristãos, o Ser é constituído de corpo e alma sendo que esta sobrevive à morte do corpo físico. A existência se faz numa única vida. Assim o corpo é efêmero e a alma tem infinita duração. É a vida eterna. Cogita-se num corpo glorioso para Jesus e corpos incorruptíveis para os Santos.
Apesar de Paulo ter falado em Corpo Espiritual, os cristãos desconhecem sua verdadeira essência e se restringem na concepção do Ser como sendo corpo e alma.
Enfim, quando buscamos a essência do Ser (e aqui estamos voltados ao ser humano) as diferentes crenças colocam suas formas de ver o Ser. É neste ponto que a Filosofia se volta as diferentes teologias buscando e refletindo sobre os pontos comuns.
Essência e existência são os elementos básicos do ser. À pergunta: o que é o ser, temos uma infinidade de respostas, dependendo, é claro, do ponto de vista considerado. Se materialista, a essência estaria na matéria; se idealista, no espírito; se religioso dogmático, em Deus. Essa aparente contradição de pontos de vista é aclarada pelo Espiritismo, que faz a síntese de todas as correntes filosóficas.

5ª PARTE: A CONCEPÇÃO ESPÍRITA DO SER
A Doutrina Espírita tem sua maneira de entender o que é o Ser e qual sua essência. Para ela, a essência, a forma e a existência são respectivamente, o espírito, o corpo e o perispírito (sendo este o vinculo dos outros dois).
Os seres têm uma essência que se desenvolve através da evolução: o princípio inteligente. Essa essência se reveste de formas diversas no processo evolutivo e estudado pela Ciência através dos seus ramos: Mineralogia, Botânica, Zoologia e Antropologia. Assim a essência e a forma constituem a existência.
A imagem simbólica do Gênese: “... e Deus modelou o homem da argila do solo...” adquire um sentido mais profundo. A expressão bíblica já não é mais um absurdo nem infantilidade. É a expressão de um processo cósmico de criação.
Para o Espiritismo, o homem não é apenas "o último anel da vida animal na terra" (A Gênese, Kardec), nem o produto quase exclusivo da ação simultânea do trabalho; mas também aquele ser que se mostra nos fenômenos de materialização, de aparição, de visão, de voz direta, de incorporação, de psicografia ou de tiptologia, para demonstrar "aos que ficaram" que ele não se extinguiu com a morte, e que o seu conteúdo moral continua a viver e a se desenvolver indefinidamente, na multiplicidade das formas, sem prejuízo da identidade substancial.
É evidente que o fato da sobrevivência alarga as concepções humanas da vida e do mundo, muito além dos limites terrenos ou orgânicos da concepção materialista. No ser humano, a realidade ontológica reflete a realidade cósmica no complexo Espírito, Perispírito e Corpo.

6ª PARTE: O CORPO
O corpo é o Ente. É a parte material do Ser. É a existência do Ser na sua forma corporal. Sua substancia material é composta de átomos que se agregam formando moléculas e estas por sua vez compõem as células que tem vida e tem um ciclo existencial também.
As células compõem os tecidos e estes os órgãos. Os órgãos compõem um sistema e o conjunto destes formam o corpo.
Um primeiro questionamento é a respeito da forma de todos esses componentes e do conjunto como um todo. Foi o acaso que o determinou? Foram as condições ambientais? E a similaridade entre os corpos? As diferenças entre os corpos masculinos e femininos? Existe no corpo algum órgão desnecessário? Todos têm sua finalidade? Todas as células se renovam? A memória se mantém?
Poderíamos acrescentar o pertinente questionamento do Filósofo Plotino: “Atribuir à espontaneidade e ao acaso a existência e a formação do mundo sensível é o absurdo de um homem que não sabe compreender nem olhar. É impossível que um amontoado de corpo faça a vida e que coisas sem inteligência engendrem a inteligência”.

7ª PARTE: O ESPÍRITO E SUA ESCALA
O Espírito é a essência do Ser e eles são os seres múltiplos e finitos que Deus cria com o barro simbólico do princípio inteligente, envolvidos na ganga do fluido universal e do princípio material.
O espírito não é energia e nem fluido, pois se o fosse, faria parte do mundo material. O espírito é o pensamento. O espírito é o psiquismo. O espírito é a vontade. Enfim, eu sou o espírito e o meu corpo é a minha vestimenta nesta encarnação, nesta existência.
Os sentidos não têm a sensação e a percepção do espírito. Somente quando ele está revestido do perispírito. Portanto a concepção de espírito só é possível através da cogitação filosófica e sua manifestação ao mundo material só se faz através do fluido perispiritico.
A potencialidade atualizada do espírito o coloca numa escala o qual estabelecemos os níveis inferiores como sendo aquela potencialidade ainda pouco desenvolvida e no outro extremo as potencialidades que se somam muitas experiências assimiladas.
O correto, portanto, é dizer o “espírito fulano de tal” e não como comumente costumamos escutar: o “espírito de fulano de tal”. Lembremos sempre que nós, enquanto espíritos, somos eternos enquanto o corpo é efêmero, passageiro, finito.
Kardec afirma no Livro de Médiuns: “A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna à primeira vista incompreensível o fenômeno das manifestações. Como estas não podem dar-se, senão exercendo o Espírito ação sobre a matéria, os que julgam que a idéia de Espírito implica a de ausência completa de tudo o que seja matéria perguntam, com certa aparência de razão, como pode ele obrar materialmente”.
“Ora, aí o erro, pois que o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o deixa, por ocasião da morte, não
sai dele despido de todo o envoltório. Todos nos dizem que conservam a forma humana e, com efeito, quando nos aparecem, trazem as que lhes conhecíamos”.
Encontramos na questão 82 do Livro dos Espíritos um maior esclarecimento da questão:
82 - É exato dizer que os Espíritos são imateriais?
Como podemos definir uma coisa quando não temos termos de comparação e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem a palavra, incorpóreo seria mais exato, porque deveis compreender bem que o Espírito, sendo uma criação, deve ser alguma coisa. É uma matéria puríssima, mas sem comparação ou semelhança para vós, e tão etérea que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.
Na questão 85 confirma-se a primazia do princípio espiritual sobre o princípio material, que preexiste e sobrevive a tudo. Na questão 86 atesta-se a sua completa independência, podendo existir sem a existência da matéria, com a ressalva de que sua correlação é incessante, porque reage incessantemente um sobre o outro.

8ª PARTE: O PERISPÍRITO E O FLUIDO VITAL (A VIDA)
Em Coríntios I – 15,44 foi dito por Paulo: “ semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual”...
Entendemos o Corpo Espiritual ao qual Paulo se referia como sendo o que a codificação espírita denomina Perispírito.
A forma não pertence à matéria, mas dela se apodera para amoldá-la. Procede de um elemento intermediário: o Fluido Universal que em suas modificações diversas se apresenta como interação magnética, interação gravitacional, interação elétrica e mesmo o fluido vital.
Devemos entender igualmente, por vida ou fluido vital como sendo a energia sutil do fluido cósmico que atua diretamente no corpo físico é também efêmero. A morte do corpo se caracteriza pela perda completa do fluido vital.
Apesar dessa combinação de energias ou fluidos ainda não ser perceptível para nossos olhos ou instrumentação, temos paralelos na natureza que demonstram como “forças” ou energias aparentemente “invisíveis” provocam efeitos fantásticos. Hoje por exemplo temos a levitação de corpos de grandes dimensões, como trens, através de campos eletromagnéticos criados por supercondutores. Ao se aproximar uma lâmpada fluorescente, sem nenhum fio ligado a ela, de uma forte fonte de emissão de energia eletromagnética, tal como a antena de uma emissora de televisão ou uma torre de transmissão de energia elétrica em alta tensão, a lâmpada acende, emite luz, sem que, aparentemente, nenhuma “força” esteja agindo sobre ela.
Que dificuldades acharemos em admitir que o Espírito, com o auxilio do seu perispírito, possa levantar uma mesa, sobretudo sabendo que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?

9ª PARTE: CONCLUSÃO
O Espiritismo tem seu aspecto Existencialista. Vivemos como Ente nesta Existência e evoluímos através das existências sucessivas. Aprendemos que a realidade aparente é ilusória, pois se transforma, flui e se acaba. Ela é efêmera, mas necessária para chegarmos a realidade verdadeira.
Só a parte formal é perecível: corpo e perispírito. A essência do Espírito é indestrutível, é perene, pois representa a atualização das potencialidades.
Há uma espécie de seres que não figura na Ontologia Espírita: a dos seres condenados para sempre e aqueles voltados eternamente para o mal. A Filosofia Espírita não aceita essa concepção pois fere frontalmente o concepção de justiça e de amor infinitos de Deus.
Alan Krambeck

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula: Livro 3 Cap. 22 - Alma e Espírito – Composição do Perispírito
Leitura: Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Edit FEB

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