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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Estudo: A Gênese, cap XVIII São Chegados os Tempos

A GERAÇÃO NOVA

 Para que os homens sejam felizes sobre a Terra é preciso que ela seja apenas povoada por bons Espíritos encarnados e desencarnados que só queiram o bem. Este tempo tendo chegado, uma grande emigração acontecerá neste momento entre aqueles que a habitam; os que fazem o mal pelo mal e que o sentimento do bem não o toca, não sendo mais digno da Terra transformada, sê-lo-ão excluídos, porque trariam de novo a discórdia e a confusão e seriam um obstáculo ao progresso. Estes irão expiar seu endurecimento uns em mundos inferiores, outros, entre raças terrestres atrasadas que serão o equivalente de mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos e que terão por missão de fazer avançar. Serão substituídos por Espíritos melhores que farão reinar entre eles a justiça, a paz, a fraternidade.

A Terra, no dizer dos Espíritos, não deve nunca ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradativamente e a nova lhe sucederá do mesmo modo sem que nada troque a ordem natural das coisas.

Tudo se passará, pois, exteriormente, como de hábito, com esta única diferença, mas esta diferença é capital porque uma parte dos Espíritos que se encarnavam, não mais se encarnará. Em uma criança que nascerá em lugar de um Espírito atrasado e portador do mal o que estará se encarnado será um Espírito mais avançado e portador do bem.

Trata-se, pois, bem menos de uma nova geração corpórea do que de uma nova geração de Espíritos. Assim, aqueles que se atentarem para ver a transformação operar-se por efeitos sobrenaturais e maravilhosos irão se decepcionar.

 A época atual é a da transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados no ponto intermediário, assistiremos a partida de uma e a chegada da outra, e cada qual se assinala já, no mundo, pelos caracteres que lhe sejam próprios.

As duas gerações que se sucedem têm ideias e visões todas opostas. Pela natureza das disposições morais mas sobretudo das disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir à qual das duas pertença cada indivíduo.

A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, distingue-se por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, ajuntadas ao sentimento inato do bem e das crenças espirituais, o que é o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Não será nunca composta exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, tendo já progredido, estão dispostos a assimilar todas as ideias progressivas e aptas a secundar o movimento regenerador.

O que distingue, ao contrário, os Espíritos atrasados é a princípio, a revolta contra Deus pela recusa de reconhecer algum poder superior à humanidade; depois, a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos anti-fraternos do egoísmo, do orgulho, do agarramento por tudo o que seja material.

São estes vícios dos quais a Terra deva ser purgada pelo afastamento daqueles que refugam emendar-se, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade, e que os homens de bem sofrerão sempre do seu contato; quando a Terra estiver livre, os homens marcharão sem entraves, para o futuro melhor que lhes está reservado desde aqui em baixo, por prêmio de seus esforços e de sua perseverança, atentando que uma purificação ainda mais completa abre-lhes a entrada dos mundos superiores.

 Por esta emigração de Espíritos, não se torna preciso entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Muito ao contrário, aí voltarão, porque muitos cederam à influência das circunstâncias e do exemplo; a superfície era entre eles pior que o fundo. Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos preconceitos do mundo corpóreo, a maior parte verá as coisas de uma maneira toda diferente da que quando de sua vivência, como também temo-lo numerosos exemplos. Neste caso, são ajudados pelos Espíritos benévolos que se interessam por eles e que se apressam em esclarecê-los e mostrar-lhes a falsa rota que tinham seguido. Pelas nossas preces e nossas exortações, podemos nós mesmos contribuir para sua melhora porque há uma solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos.

A maneira pela qual se opera a transformação é cada vez mais simples e, como se vê, ela é toda moral e não se descarta em nada das leis da natureza.

 Que os Espíritos da nova geração sejam novos Espíritos melhores, ou os velhos Espíritos melhorados, o resultado é o mesmo; desde o instante que apresentem melhores disposições, é sempre uma renovação. Os Espíritos encarnados formam, assim, duas categorias, conforme suas disposições naturais: de uma parte os Espíritos retardatários que partem, de outra, os Espíritos progressistas que chegam. O estado dos costumes e da sociedade será, pois, entre um povo, uma raça ou no mundo inteiro, a razão dessas duas categorias que terá a preponderância.

Para simplificar a questão, suponhamos um povo a um patamar qualquer de adiantamento e composto de vinte milhões de almas, por exemplo; a renovação dos Espíritos se fazendo gradativamente, das extensões, isoladas ou em massa, há tido necessariamente um momento em que a geração de Espíritos retardatários suplantaria em números sobre a dos Espíritos progressistas que computaria apenas de raros representantes sem influência e então, os esforços para fazer predominar o bem e as ideias progressivas ficariam paralisados. Ora, uns partindo, outros chegando após um tempo dado, as duas forças se equilibram e sua influência se contrabalança. Mas tarde, os recém-chegados estarão em maioria e sua influência torna-se preponderante, embora ainda entravada pelos primeiros; aqueles aqui, continuando a diminuir, ao passo que os outros se multiplicam, acabarão por desaparecer; cegará um momento, pois, onde a influência da nova geração será exclusiva; mas aí, não pode se compreender isso se não se admitir a vida espiritual independente da vida material.

 Assistimos a esta transformação, ao conflito que resulta da luta das ideias contrárias que procuram se implantar; umas marcham com a bandeira do passado, outras com a do porvir. Caso se examine o estado atual do mundo, reconhecer-se-á que, tomada em seu conjunto, a humanidade terrestre está longe ainda do ponto intermediário onde as forças se contrabalançam; que os povos considerados isoladamente, estão a uma grande distância uns dos outros sobre esta escala; que alguns tocam neste ponto mas que outros nem o têm ainda atingido. Do resto, a distância que os separa dos pontos extremos está longe de ser igual em duração e uma vez transposto o limite, a nova rota será percorrida com igualmente mais rapidez que uma multidão de circunstâncias virá aplainá-la.

Assim se cumpre a transformação da humanidade. Sem a emigração, isto é, sem a partida dos Espíritos retardatários que não devam voltar ou que só devam voltar quando estiverem melhorados, a humanidade terrestre não ficará, desta forma, indefinidamente estacionária, porque os Espíritos, os mais atrasados avançam a seu turno; mas será preciso séculos e talvez milhares de anos para chegar ao resultado que um meio-século bastaria para realizar.

 Uma comparação vulgar fará melhor compreender ainda o que se passa nestas circunstâncias. Suponhamos um regimento composto em grande maioria de homens turbulentos e indisciplinados; estes aqui levam sem cessar uma desordem que a severidade da lei penal terá frequentemente a sentença para reprimir. Estes homens são os mais fortes porque são os mais numerosos; sustentam-se, encorajam-se e se estimulam pelo exemplo. Alguns bons são sem influência; seus conselhos são desprezados; são achincalhados, maltratados pelos outros e sofrem deste tratamento. Não é esta a imagem da sociedade atual?

Suponhamos que se retire estes homens do regimento, um por um, dez por dez, cem por cem, e que se os recoloque gradativamente por um número igual de bons soldados, mesmo por aqueles que tenham sido expulsos mas que tenham seriamente emendado, ao fim de algum tempo, ter-se-á sempre o mesmo regimento, mas transformado; a boa ordem aí sucederá à desordem. Assim o será com a humanidade regenerada.

 Os grandes embarques coletivos não têm somente por finalidade ativar as saídas, mas transformar mais rapidamente o espírito da massa, em desembaraçando-a das más influências e de dar mais ascendência às ideias novas.

É por isso que muitos, apesar de suas imperfeições, estão maduros para esta transformação, que muitos partem a fim de que possam ir retemperar-se em uma fonte mais pura. Tanto que, ficando no mesmo meio e sob as mesmas influências, eles persistiriam nas mesmas opiniões e com a mesma maneira de ver as coisas. Uma estada no mundo dos Espíritos basta para abrir-lhe os olhos, porque lá eles veem aquilo que não poderiam ver sobre a Terra. O incrédulo, o fanático, o absolutista, poderão, pois, retornar com ideias inatas de fé, de tolerância e de liberdade. À sua volta, encontrarão as coisas mudadas, experimentarão a ascendência do novo meio onde nascerão. Em lugar de fazer oposição às ideias novas, sê-lo-ão os auxiliares.

 A regeneração da humanidade não tem, pois, absolutamente, necessidade da renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais; esta modificação se opera entre todos aqueles que estejam predispostos a isso, tão logo sejam tirados da influência perniciosa do mundo. Os que tornam, então, não serão sempre outros Espíritos, mas, frequentemente, os mesmos Espíritos, só que pensando e sentindo de outro modo.

Quando esta melhoria é isolada e individual, ela passa despercebida e fica sem influência ostensiva sobre o mundo. Todo outro é o efeito que se opera simultaneamente sobre grandes massas, porque então, conforme as proporções, em uma geração, as ideias de um povo ou de uma raça podem ser profundamente modificadas.

É o que se nota quase sempre após os grandes abalos que dizimam as populações. Os flagelos destruidores só destroem os corpos, mas, não atingem o Espírito; eles ativam o movimento de vai e vem entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual e por sequência o movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de se notar que, a todas as épocas da História, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso.

 É um desses movimentos gerais que se opera neste momento e que deve conduzir o remanejamento da humanidade. A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, porque deve acelerar a eclosão dos novos germens. São as folhas de outono que caem e às quais sucederão novas folhas plenas de vida, porque a humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas idades. As folhas mortas da humanidade caem levadas pelas rajadas e os golpes de vento, mas, para renascerem mais vivazes, sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue mas purifica.

 Para o materialismo, os flagelos destruidores são calamidades em compensação, sem resultados úteis, já que conforme o mesmo, aniquilam os seres sem volta. Mas para aquele que sabe que a morte só destrói o corpo, eles não terão a mesma consequência e não lhe causam o menor pavor; compreende-lhe a finalidade e sabem também que os homens não perdem mais por morrerem em conjunto, do que morrer isoladamente, já que, de uma maneira ou de outra, é preciso sempre chegar lá.

Os incrédulos rirão destas coisas e s considerarão quimeras, mas o que quer que digam, não escaparão à lei comum. Cairão a seu turno como os outros e, então, que advirá deles? Eles dizem: nada; mas viverão apesar deles próprios e serão forçados um dia, a abrir seus olhos.

A Gênene - Allan Kardec

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